Lago Merín, Uruguay


       Um Encontro Motociclístico em Jaguarão; uns dias de “férias” às margens de la Laguna Merín. Dois momentos, dois lugares diferentes e próximos; cada um com sua importância.

      Eu me refiro à Lagoa Mirim, parte uruguaia, daí o nome em espanhol.
      Com antecedência, marcamos hotel às margens da Laguna, em Lago Merín, balneário situado dentro dos limites de Rio Branco, Uruguai.


     De Jaguarão(RS) se alcança Rio Branco(UR), do outro lado do Rio Jaguarão, atravessando a Ponte Internacional Barão de Mauá, com 870 metros de extensão. De Rio Branco à Lago Merín, mais 18, por uma estrada asfaltada, em meio aos belos campos uruguaios.
 
               


Dia 24/01/2013 (quinta-feira)

      Saímos às 7 horas da manhã, com um Sol maravilhoso nos acompanhando. Passo Fundo, Lajeado, Porto Alegre...


Ponte sobre o Rio Guaíba (Porto Alegre-RS)
       Em Pelotas, uma chuva torrencial nos atingiu de forma implacável.
      Às três e meia da tarde, sem perspectiva de que chuva e vento fossem dar uma trégua, encostamos em um hotel (Hotel Plaza Ipiranga)  pouco antes da cidade. O tempo de acomodar as coisas no quarto de hotel e trocar as roupas, foi também o tempo necessário para que parasse de chover e surgisse aos poucos e timidamente o Sol. Já eram quatro e meia da tarde pelo horário de verão...
      Fazer o quê...? Ficamos aí mesmo...
      Aproveitei para abastecer a moto, lubrificar a corrente e fazermos um lanche.
Jantar? Apenas eu arrisquei. Ao lado do hotel e nos fundos do Posto de Abastecimento, um pequeno restaurante servia precariamente um jantar caseiro.
 

         


DIA 25/01/2013(sexta-feira)

      O dia amanheceu com o Sol marcando bem o que prometia ser um dia lindo.
      A viagem transcorreu tranqüila, sob uma brisa levemente fria, até chegarmos a Jaguarão, quando um Céu novamente cheio de nuvens prometia mais chuva.

BR-116, Pelotas-Jaguarão
  
      Estava acontecendo o 14º Moto FEST em Jaguarão.
      Na entrada da cidade, o pessoal do moto grupo recebia os visitantes com carne assada, salsichão, pão e refrigerante e um largo sorriso.
      Tiago, "Furo", "Segóvia", os churrasqueiros... Até parecia que nos conhecíamos há muito tempo.
      Bela recepção...
      Enquanto alguns pingos de chuva já marcavam nossa recém chegada, estacionavam mais motos, mais triciclos, novos amigos...

               

        


 

                

       



      Já eram perto das onze quando nos dirigimos ao local do Encontro (camisetas, adesivos para marcar a data e a viagem), muito bem organizado e repleto de estandes de acessórios e demais artigos de motociclismo.

                      

 

                                                    
 
      Depois do almoço, rumamos para o balneário da Laguna Merín, passando por Rio Branco, já no Uruguai.





      Lago Merín está em uma das pontas da Lagoa Mirim. Apenas muda de nome porque esta faixa está dentro dos limites do país vizinho, Uruguai.
     Praia de areias e águas limpas; água rasa, anda-se por mais de duzentos metros lagoa a dentro e a água não chegar à cintura. Porém, a água é um pouco fria e poucos se arriscam a entrar nela.
     Chegamos ao Hotel Laguna Merín no final da tarde.

           

      Aproveitamos o resto do dia para conhecermos a praia.






       
 
 

             

         

      Circulando pela rua paralela à praia, durante a tarde, pouco movimento se vê, mas à noite, o comércio informal se instala e então, o fluxo de pessoas e dos poucos veículos aumenta. Pessoas de um lado para outro, entre as barracas de camelôs; gente ocupando mesas e cadeiras em frente aos poucos bares e pizzarias...
      Parece que a vida se inicia após a costumeira sesta da tarde.

                    


    



Dia 26/01/2013 (sábado)

      Reservamos esse dia para ficarmos em Jaguarão participando do 14 º MOTO FEST.
Motos, muitas motos, triciclos, gente, muita gente...

    


                           


   

            



  




 


                   

       O Encontro foi na Praça Dr. Alcides Marques, (Praça da Matriz ou "Praça do Obelisco"), com muita sombra, tendo ao fundo a Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, ladeada de prédios históricos.

      






  

              


      Quem veio para acampar encontrou um bom lugar próximo ao cais, na Praça do Desembarque, com a bela vista da Ponte Barão de Mauá.

          

                          

       A Organização está de parabéns, pela estrutura, pela escolha do lugar, pela equipe que abraçou a tarefa.
      Tivemos um pequeno problema com a moto. Soltou-se o parafuso da carenagem do lado esquerdo e o risco de perdê-la foi grande. Fomos prontamente socorridos pelo pessoal da Sul Motos, que nos dispensou atenção especial.

        

      Não ficamos para a escolha da Rainha do Motociclismo e nem para o jantar (bem que gostaríamos...). Como estávamos hospedados a 23 km de Jaguarão, retornar à noite, depois de uma janta, não seria conveniente.
     Retornamos à praia da Lagoa para jantarmos no quiosque Las Cañas  (onde a Franchesca, com sua simpatia, nos prestou um excelente atendimento) e apreciar o fim da tarde.

               


                             







                      



27/01/2013 (Domingo)


      Aproveitamos o belíssimo dia para ficarmos na praia da Lagoa em plena ociosidade.
      Almoçamos no mesmo quiosque de ontem “Las Cañas”, onde alugamos duas cadeiras e um guarda-Sol.






                   Éramos os únicos a instalar o guarda-Sol e as cadeiras longe da água.

 

      Nesse dia se realizava a preparação para um concurso de esculturas na areia, vencida pelo escultor do jacaré. Promoção que teve o apoio da municipalidade de Rio Branco, da Capitania Uruguaia e de representante da vizinha Jaguarão.




                    





 
      Um dia de muito Sol e calor, mas que, mesmo assim, não nos motivou a entrar na água, que estava fria, senão para algumas fotos (com efeitos especiais, como se estivéssemos caminhando sobre as águas...).




28/01/2013 (segunda-feira)

      Dia de levantar cedo (5 horas) para registrar o magnífico nascer do Sol sob a Lagoa.






      Dia de almoçar em Jaguarão, registrar alguns aspectos da cidade, belos momentos e depois, visitar os Free Shopings de Rio Branco, logo na saída da Ponte Internacional que une as duas cidades.









     

       No final da tarde, retornamos à Lago Merín para arrumar as coisas e acertar as contas com o hotel.






29/01/2013 (terça-feira)


      Às oito da manhã estávamos na estrada, com uma parada em Rio Branco para abastecer, gastando assim, os últimos pesos uruguaios que tínhamos na carteira.
      A gasolina 95 octanas, em Rio Branco, está sendo vendida ao equivalente a R$ 3,40 o litro.
      Atravessamos a ponte e seguimos a Jaguarão.
      Depois, Pelotas, Rio Grande.
     
BR-116, Jaguarão-Pelotas



      Em Rio Grande tivemos dificuldade em localizar a balsa que nos levaria até São José do Norte através do canal Miguel da Cunha no estuário da Lagoa dos Patos.



 

 

                  

      José do Norte através do canal Miguel da Cunha no estuário da Lagoa dos Patos.
      Rio Grande está com sinalização deficiente e em se tratando de tomar a balsa, NÃO POSSUI NENHUMA SINALIZAÇÃO INDICATIVA. A informação foi obtida com frentistas e motoristas de táxis.
      Feita a travessia a um custo de R$ 4,55 para a moto, travessia que demorou cerca de 32 minutos, chegávamos a São José do Norte. Hoje, março/2013, esse percurso é mais longo e mais demorado, face às dragagens que estão feitas no canal.

      Seguindo pela BR-101, avistávamos extensas áreas de reflorestamento e pastagens.
      Até Mostardas a estrada está boa, mas a partir daí, deve-se pilotar com extremo cuidado. Muitas vezes, andando em longos trechos de boa pavimentação, fomos surpreendidos por falhas na rodovia, camufladas por sombras ou manchas escuras do asfalto que nos obrigava a desviar perigosamente de grandes buracos, quase sempre acompanhados de outros menores.



    
        Assim foi até Capivari do Sul, quando melhorou um pouco as condições da rodovia. Por outro lado, iniciava nesse trecho, grande movimento de veículos, principalmente caminhões, até Porto Alegre.
       Na saída de Canoas, um pernoite, depois de termos percorrido cerca de 700 quilômetros. No dia seguinte (30/01), continuávamos o retorno para casa. Dessa vez, com o Sol nos acompanhando.
BREVE INCURSÃO PELA HISTÓRIA DE JAGUARÃO E RIO BRANCO

RIO BRANCO-UR

      Em 1750 ficou decidido que a Lagoa Mirim e afluentes pertenceriam ao Brasil.
      Porém, no lado uruguaio, se formava a comuna de Rio Branco que, fundada em 1792, recebia o nome de Arredondo.
      O impasse relativo às fronteiras continuava, diante do acordo de 1750.
      Somente em 1909, pelas mãos do Ministro Brasileiro de Relações Exteriores José Maria da Silva Paranhos, conhecido por Barão do Rio Branco, que o Uruguai recebeu parte da Lagoa Mirim, nela incluída a comuna de Arredondo.
      Em 1915, em agradecimento, o Uruguai mudou o nome da cidade para Rio Branco.


JAGUARÃO-RS

      Jaguarão surgiu em 1802, a partir de um acampamento militar às margens do rio de mesmo nome, e onde estancieiros já ocupavam a área para a criação de gado.
      A cidade, reconhecida nacionalmente por seu acervo arquitetônico, ainda preserva 800 importantes prédios históricos, marcados pela beleza de suas portas, talhadas na madeira e à mão.
      Em 1930 foi inaugurada a ponte Barão de Mauá, que une Jaguarão a Rio Branco no Uruguai.
      Ponte que “não custou um centavo Império”. À época, o Uruguai, ameaçado em sua recente soberania pelo general argentino Juan Manuel de Rosas, buscou empréstimos junto a D. Pedro II. Em troca da dívida, anos mais tarde, o Uruguai construiu a ponte.
      Vê-se ainda os trilhos sobre a ponte. Porém o transporte ferroviário está desativado desde 1979, cujo traçado serve hoje, apenas como elemento histórico.
Entre os principais pontos turísticos, destacam-se:
 - Ruínas da Enfermaria Militar, localizada no Cerro da Pólvora, antiga construção que serviu de fortificação e de ponto de observação durante escaramuças e revoluções.
- Igreja Matriz Imaculada Conceição
- Matriz do Divino Espírito Santo
- Ponto Internacional Barão de Mauá
- Mercado Público
- Museu Carlos Barbosa Gonçalves
- Instituto Histórico e Geográfico

FINALIZANDO

Total rodado: 1.858 quilômetros.

Hospedagens:

1)    Hotel Plaza Ipiranga, Pelotas(RS):  R$ 180,00 a diária/casal, com café-da-manhã. Boas acomodações e lugar em frente ao quarto para deixar o carro ou a moto;
2)    Hotel Laguna Merín, Lago Merín, Rio Branco, Uruguai: boas acomodações ($ 1.700/pessoa com café-da-manhã ou, em reais, R$ 189,00, como queriam. O peso uruguaio estava cotado oficialmente - média de janeiro/2013 - a R$ 0,104. Preferi fazer o câmbio e pagar em pesos uruguaios).

Agradecimentos:

      Agradecemos a todos aqueles que nos acompanharam virtualmente em nosso passeio, rezando para que tudo desse certo e, a Deus, pela sua companhia.


SITES CONSULTADOS

http://www.popa.com.br/imagens/lagoa_mirim/diario2.htm

3 comentários:

Luís Cleber De Paula disse...

Lindo passeio, ainda irei a este lugares, um abraço!!!

Coordenadoria Mulher disse...

Procurando saber mais sobre Laguna Merín me deparei com o maravilhoso trabalho de vocês, imagens, história, registros e poema.
VIDA muita vida e muitas e magníficos relatos dessa viagem que é um pouco de nossa trajetória, obrigada por existirem.

Silvana Bica disse...

Pesquisando agora a Laguna Merín, descobri esta postagem de vocês.Muito boa, bem descrita e com ótimas referencias geográficas.Vale !