USHUAIA: um lugar no Fim do Mundo


Depois de subirmos o vulcão Villarrica; de subirmos de moto até a metade do vulcão Osorno, também no Chile; depois de fazermos trekking no Glacial Perito Moreno, em El Calafate, na Argentina (e brindarmos com uisque e pedaços de gelo da geleira); visitarmos de longe, as Torres del Paine, no Chile (e vermos com tristeza, a devastação provocada pelo incêndio na reserva florestal); passarmos por Villa La Angostura, na Argentina (e termos a mesma sensação ao vermos o estado em que ficou toda aquela área, em razão das cinzas do vulcão Puyheue); de visitarmos o Fuerte Bulnes, também no Chile; e em Ushuaia, na Argentina, circundarmos o Farol del Fin del Mundo,  cruzarmos pela Ilha dos Lobos Marinhos e passearmos entre os pingüins magalhânicos, entre tantos outros passeios, apreciando esse mundo maravilhoso que Deus criou, estamos de volta.
            Após rodarmos 12.820km, a maior parte na patagônia, registrarmos 3.562 fotos, fazermos 273 filmagens, estamos em casa.
            Há duas alegrias quando a gente viaja: a primeira, quando a gente sai; a segunda, quando retornamos.
            Existem tantos lugares diferentes para se ver.... Lugares desafiadores, belos, exóticos, maravilhosos, mas nada se compara com a nossa casa, nosso refúgio.
            Foram 35 dias (desde 09 de janeiro de 2012), de muita adrenalina, de muito cansaço, de medo, mas também, de satisfação.

       
O relato está dividido em três partes.
Na primeira, um roteiro por parte da região dos lagos da patagônia, iniciando com a saída do Brasil por Quaraí(RS) e ingresso no Uruguai por Artigas;  a travessia do Deserto de La Pampa, na Argentina; e, através do Passo Mamuil Malal, o ingresso no Chile, atravessando parte do Parque Lanin, tendo esse vulcão sempre à esquerda; o ingresso na região das patagônias argentina (Junin de Los Andes, San Martin de Los Andes) e chilena (subida do vulcão Villarrica, em Pucon).
A partir de Puerto Varas, navegar pelo Lago de Todos los Santos, tendo como companhia, os vulcões Osorno e Puntiagudo; visitar os saltos do rio Rio Petrohué; subir de moto até a estação de esqui aos pés do vulcão Osorno (uma estrada de cerca de 16 km que, embora seja toda pavimentada, requereu cuidados especiais por ser muito sinuosa).
Ainda na Argentina, antes de seguir para Ushuaia (segunda parte desse relato), visitar o Glacial Perito Moreno e fazer um mini trekking.
Na segunda parte, já no Chile, admirar as Torres del Paine; o Salto grande e o Lago Grey; uma espiada à Cueva de Milodon (caverna gigantesca, onde teria sido o refúgio de um animal que habitou essa região há milhões de anos).
A partir de Punta Arenas, como uma viagem no tempo, parafraseando o próprio banfleto que o anuncia, visitar o Fuerte Bulnes, em Punta Santa Ana, marco da colonização no extremo sul da patagônia chilena, em frente ao Estreito de Magalhães.
Na sequência, a travessia do Estreito de Magalhães que só conhecíamos das aulas de geografia já esmaecidas pelo tempo.
A chegada em Ushuaia e a navegação pelo Canal de Beagle, em visita à ilha dos pássaros, à ilha dos Lobos Marinhos; circundar o Farol do Fim do Mundo – Farol Les Eclaireus –; o passeio entre os pingüins na Isla Martillos.
E, o retorno, difícil, em razão dos fortes ventos, mas que, graças ao Pai lá de cima, transcorreu sem incidentes maiores.
A travessia do Rio da Prata, de Buenos Aires a Colônia del Sacramento, no Uruguai; uma passada em Rivera para umas comprinhas básicas e a chegada em casa, às 18:25 de um domingo ensolarado e quente, quando o calendário já marcava o dia 12 de fevereiro.
Na terceira parte, impressões de viagem, informações e dicas que julgamos importantes e que esperamos, possam ser úteis.







PRIMEIRA PARTE
PATAGÔNIA DOS LAGOS

09/01/2012 (segunda-feira)
SAINDO DO BRASIL E ENTRANDO NO URUGUAI

Saímos às 07:50, um pouco atrasados da hora programada para sair, que era às 07:30.
No baú traseiro, um pequeno tanque de plástico (vazio) com capacidade para cinco litros de combustível, além de outros objetos.
Nos baús laterais, uma calça “jeans”, as camisetas que estampamos com o logotipo da viagem, as extensões elétricas, as forrações das roupas de viagem, um conjunto de roupas para o frio...
Em nossas mentes, uma grande expectativa e um pouco de apreensão diante do desconhecido. Mas, como eu já mencionei em outra viagem, a partir de agora passaríamos a ser “cidadãos do mundo” e nem sonhávamos em abortar a viagem.
Saímos em direção à Passo Fundo, Panambi, Jóia, Santiago, Manoel Viana, Alegrete, onde encontramos o meu xará Antônio, motociclista de Alegrete, membro do Moto Grupo Roda Livre. A ele, nosso abraço.
Pela manhã a temperatura estava amena, mas à tarde, foi de um calor insuportável. As paradas em lancherias e lojas de conveniências para repor líquidos foram frequentes e demoradas. Sem exagero, consumimos mais de dois litros de água cada um somente no período da tarde.
Seguindo a dica do meu xará, rodando com cuidado até Quaraí.
Cruzamos a fronteira e, como estávamos muito cansados, ficamos em Artigas, Uruguai, no Hotel Cassino ao preço de 90 dólares (habitacion matrimonial) e após termos rodado 690km.
Descobrimos que em Artigas, nenhum hotel ou hosteria possui estacionamento próprio. Tivemos que deixar a moto em um terreno nos fundos de uma casa. O local é indicado pelo próprio hotel, cuja “cocheira” tem um custo de 60 pesos uruguaios o pernoite e está a duas quadras desse hotel.
Cabe dizer que não só em Artigas, Uruguai, mas também em quase toda a Argentina os hotéis não possuem garagem própria. A maioria indica garagem a uma ou duas quadras de distância (que à vezes, até pode ser do hotel, mas de chão de terra ou pouco cascalhado); no Chile é um pouco diferente; a maioria dos hotéis possui estacionamento próprio, mas igualmente, raros são os que possuem o piso da garagem pavimentado.
Casas de câmbio: em Artigas há duas; ambas localizadas na avenida principal e praticamente uma em frente à outra. A Casa Ibéria funciona como extensão do Hotel Cassino, no horário das 08:00 às 19:00. Após esse horário e até a uma da manhã, o câmbio pode ser feito através do próprio hotel (adentrando o cassino). A outra casa de câmbio atende das 08:00 às 17:00.
Combustível em Artigas: o preço da gasolina em Artigas (09/01/2012), posto ANCAP, está em torno de $ 34,88 (peso uruguaio) para a Super XXII e $ 35,62 a Premium.
Horário adotado no Uruguai: é o horário de verão, adiantando uma hora e tem vigência do dia 12/10 a 04/03. Portanto, nesse período, considerando que o Brasil também adota o horário de verão, não há diferença.

    
  
10/01/2012 (terça-feira)
ARGENTINA

Saímos tarde de Artigas.
Depois do abastecimento, no Uruguai, partimos em direção à Salto, fronteira com a Argentina.
Antes do paso internacional, cruzamos pela ponte sobre o rio Uruguai entre Salto e Concordia.
Fizemos os trâmites aduaneiros no Paso Fronteiriço Salto-Concordia.
Nesse paso fronteiriço não há casa de câmbio. Aliás, em todos os demais pasos fronteiriços, por onde transitamos nessa viagem, não se encontraM casas de câmbio, exceto na saída do Buquebus, EM COLÔNIA DEL SACRAMENTO, no Uruguai, vindo de Buenos Aires.
Combustível: primeiro abastecimento na Argentina; gasolina Super XXII a $ 5,30/litro (peso argentino) em posto YPF (estatal argentina).
Horário da Argentina: não adota o horário de verão. Não há diferença de fuso horário com o Brasil (quando este não adota o horário de verão...).
Em geral as estradas são boas e o trânsito tranquilo.
Pernoitamos em Nogoya, no Hotel Luz, a $ 220 o pernoite, tendo percorrido nesse dia, 510km e totalizando 1.200km até aqui, enquanto nossas roupas, molhadas pelo suor, secavam viradas pelo avesso.



11/01/2012 (quarta-feira)
Nogoya - Pehuajó

Saímos de Nogoya eram nove e meia da manhã em direção à Rosário, Argentina, sob uma chuva fraca. Logo depois, parou de chover, mas o Céu continuou nublado e a temperatura baixou um pouco.
Rodamos mais uns 20km quando tivemos que interromper a viagem nas proximidades da cidade de Vitoria, Argentina, por conta de um acidente. Havia uma enorme fila de automóveis que, pouco a pouco foram liberados para seguir. Entretanto, essa parada de cerca de 20 minutos, mais o atraso na saída, dia 09, fizeram com que perdêssemos um tempo precioso.
Após cruzarmos a belíssima ponte Nuestra Senhora del Rosário, sobre o Rio Paraná, próxima à cidade de mesmo nome, paramos para abastecermos a moto.
Combustível em Rosário: gasolina especial $ 6,99/litro (não havia a Super) em um Posto Shell.
Depois de Rosário, outro acidente que bloqueou a pista em ambos os sentidos. Os motoristas foram orientados a retornarem e tomarem outra rodovia para chegarem em Pergamino. Com isso, retornamos aproximadamente 10km e tomamos esse desvio (aumentando em cerca de 50km a distância), com péssimo pavimento, nos obrigando a reduzir a velocidade.
Apesar de rodarmos pouco mais de 600km nesse dia, foi muito cansativo e chegamos em Pehuajó no final da tarde, fechando 1.809km.
Enquanto estávamos entrando na cidade à procura de um hotel, Victor Sauco, um integrante do Moto Grupo de Pehuajó, ofereceu-se para nos guiar até um hotel. Agradecemos sua presteza, deixando aqui nosso abraço.
Por sua indicação, nos hospedamos no Hotel Los Nogales, ao preço de $ 278 (pesos argentinos) quarto para casal.
Segundo o Victor, HAVERÁ UM ENCONTRO DE MOTOS EM PEHUAJÓ, ARGENTINA, NOS DIAS 08 A 10 DE MARÇO/2012.

        


12/01/2012 (quinta-feira)
Pehuajó - General Acha

O atraso de ontem, se refletiu na programação de viagem que apontava a travessia do deserto de La Pampa ainda hoje.
Já que estávamos atrasados com nossa programação, de nada resolveria apertar o acelerador e resolvemos sair de Pehuajó um pouco mais tarde.
Viagem tranquila, agradável. Não havia nuvens, mas também, não estava tão quente como nos primeiros dias. O relógio que trago fixado na parte da frente da mala de tanque, apontou, enquanto andávamos, 21º C.
Boas estradas.
Abastecemos em Trenque Lauquen, pagando $ 5,80/litro da gasolina Super +.
Almoçamos em Santa Rosa, às margens da rodovia (em frente ao cassino), em um restaurante do Automóvel Clube da Argentina-ACA, onde dispõe de quartos para pernoite.
Não ficamos em Santa Rosa; era cedo e seguimos viagem, perfazendo hoje, apenas 358km até General Acha, porta de entrada de La Pampa, para descansarmos e fechando 2.167km rodados.
O plano foi acordarmos cedo no dia seguinte (quatro da manhã) para sairmos às 5:30 em direção do deserto.
Considerando que talvez não encontrássemos combustível durante a travessia, o mais prudente foi controlar o consumo. Além disso, coloquei quatro litros de combustível no galão de reserva que trago no baú traseiro (vejam a cor da gasolina...).
Controlar o consumo, no meu caso, significa fazer 15,5km/litro!
Em General Acha nos hospedamos no Hotel Traful.









 
13/01/2012 (sexta-feira)
General Acha -  Picun Leufu

Conforme planejamos, acordamos cedo (temprano) e saimos às 05:40.
Não é recomendado atravessar o deserto à tarde. O Sol é escaldante, segundo os da região, além do que, se acontecer alguma coisa na estrada, você estará mais perto da noite.
Deserto de La Pampa.
Não se trata de uma reta de 200km, mas sim, de 294km (de General Acha até o cruzamento entre as Rutas 20 e 151) de campo, alternado com vegetação rasteira. A cada 40, 50 ou mesmo 15 quilômetros, há uma curva. Quase não se percebe, mas há... Não há areia, como conhecemos de um deserto. É um sem fim de planície e, não deve ser subestimado. Contudo, há outro trajeto mais assustador: Gobernador Costa a Sarmiento, mais ao sul: são 251 quilômetros SEM QUALQUER POSTO DE ABASTECIMENTO!
Quanto ao abastecimento na região do deserto, há dois postos: um em Chacharramendi (85km de General Acha, gasolina Power, da Shell a $ 7,20) e outro em La Reforma, embora isso não seja a garantia de sempre encontrar combustível...
No cruzamento (mencionado acima) entre a Ruta 20 (que vem de General Acha) e a Ruta 151 e, a aproximadamente 15 quilômetros da cidade de 25 de Mayo, há uma Estação de Serviços bem estruturada com posto de abastecimento, hotel e restaurante. Nesse lugar (Cruce del Desierto), servem um café-da-manhã em forma de buffe, das 07:00 às 10:00 ao preço de $ 25 por pessoa.
Seguindo a viagem, passando por Neuquén, onde se avistam as máquinas extraindo petróleo do solo. Imagens que voltaríamos a ver nas proximidades de Comodoro Rivadávia e Caleta Olívia, dias depois.
Seguimos em direção à Villa El Chocón, rodando quase 80 quilômetros.
Ainda era cedo e o calor estava insuportável. Estávamos cansados; mais pelo efeito do calor, do que pela viagem, que transcorria tranquila e resolvemos procurar um hotel em El Chocón, aproveitando o resto da tarde para visitar o Museu Paleontológico. Entretanto, não conseguimos um lugar.
El Chocón está às margens da represa Ezequiel Ramos Mejía, o que lhe dá o status de cidade-balneário muito procurada nessa época do ano, para os esportes aquáticos, passeios de barco, pesca, trekking entre outras atrações.
Aproveitamos para visitar o museu (entrada: $ 10-pesos argentinos) e depois,seguir viagem.
Neste dia, rodamos 603km, parando em Picun Leufu, uma pequena cidade às margens da Ruta 237, onde nos hospedamos na Hosteria Tu Mensaje (ao lado há um restaurante).
Até aqui, havíamos percorrido 2.770 quilômetros.

























14/01/2012 (sábado)
Picun Leifu - San Martin de Los Andes


              Às 7:08 saímos de Picun Leifu.
            Já estava quente a essa hora da manhã e o Céu mostrava apenas algumas nuvens.
      Uma hora e vinte minutos depois, chegávamos a Piedra del Aguilla, onde abastecemos a moto em um posto de serviço da PETROBRÁS. Nesse lugar, onde também tem uma pequena loja de artigos de pesca e souvenirs, há uma lancheria, muito agradável e com boa variedade de lanches. Depois de um café reforçado, a subida até o monumento da águia e muitas fotos, seguimos em direção à Junin de Los Andes.
           De Piedra del Aguilla a Junin, são 160 quilômetros. Nos primeiros 95 quilômetros, a rodovia é quase só de retas; nos últimos 65 quilômetros, a rodovia muda e se torna sinuosa. No entanto, toda a extensão desses 160km estão em ótimo estado.
          Foi nesse trecho que avistamos os primeiros guanacos da viagem.
    Às 12h50min chegamos em Junin de Los Andes (perfazendo 3.025km), onde enfrentamos uma fila enorme para abastecermos em um Posto PETROBRÁS. No outro posto, YPF, não havia mais combustível. Ao Sol, o relógio marcava a temperatura: 51ºC. Essa foi a primeira, de tantas outras filas que enfrentamos para abastecermos.
        Primeiro abastecemos; depois fomos almoçar no restaurante La Posta.
       Nesse restaurante, encontramos um casal de alemães (ele, com 73 anos de idade; ela, com 60 anos) que estava viajando de bicicleta pela América do Sul. Ao Helmut e à Verena (http://www.helmutverenaontour.de/), felicitamos, pelo exemplo de  coragem, pelo espírito aventureiro e pela sua simpatia, deixando aqui, nosso abraço e desejando que continuem fazendo uma ótima viagem.

















                                                                                                                                                          
   
       Depois do almoço seguimos para San Martin de Los Andes, onde chegamos por volta das 15 horas. Às 16 horas estávamos nos acomodando no Apart Hotel Orilla Manga, quase às margens do Lago Lacar, completando 3.072km.
San Martin de Los Andes é um lugar muito bonito. Possui uma arquitetura que lembra Gramado, no Rio Grande do Sul, banhada por um lago de águas azuis e, por ventos. Durante o dia esse vento foi refrescante, mas à noite, como baixou um pouco a temperatura, tornou-se inconveniente.
      Próximo ao hotel (quatro quarteirões), há um grande supermercado onde vendem comida pronta. Escolhem-se as quantidades, que são embaladas em separado.
      Assim como em quase toda a Argentina, os supermercados não fornecem sacolas plásticas para embalar as compras. Esse supermercado forneceu apenas uma, onde colocamos as embalagens com nossa janta; os outros dois itens que compramos, tivemos que carregar individualmente.
      Pode-se navegar pelo Lago Lacar, partindo de San Martin de Los Andes, cujos preços, variam de $ 90 a $ 250 por pessoa.
      Pode-se, igualmente, alugar um caiaque (se não tiver vento, como informa o guia), pagando $ 70 a hora.
      A praia é limpa; a areia é grossa e clara.
     Em San Martin, ficamos apenas o resto desse dia da chegada. No dia seguinte seguimos em direção ao Chile.
















15/01/2012 (domingo)
ENTRADA NO CHILE
Pucon

       Não tivemos pressa em sair de San Martin.
       Com o dia estava ensolarado e a temperatura amena saímos em direção ao Paso Internacional Mamuil Malal a 110km de San Martin.
       O vulcão Lanin nos acompanhou boa parte do trajeto.
       Passamos por algumas pontes assoalhadas com madeira, de uma via só, sobre o Rio Malleo, contrastando com a rodovia pavimentada e em ótimo estado.
       A pavimentação termina quando adentramos o Parque Nacional Lanin. Foram 13 quilômetros de um trecho de rípio muito ruim (costeletas, pedras soltas), mas de pouco trânsito, até chegarmos à Aduana Argentina. Feitos os trâmites na parte argentina, seguimos mais 2 quilômetros, também de rípio, até a aduana chilena e, consequentemente, entrada no Parque Nacional Villarrica.
       Nesse Paso Fronteiriço não há casa de câmbio.
       Depois do Paso Fronteiriço chileno, mais rípio, totalizando cerca de 30 quilômetros. Passado esse trecho, novamente a pavimentação de 68 quilômetros até Pucon, por uma belíssima estrada.
       Às 13:00 parávamos em um restaurante (Trancura Puesco – Restoran Y Cabanas) às margens de um riacho, para almoçarmos um X-salada ao som de sucessos dos anos 70 e 80 (Kizz, The Doors, Village People, Rolling Stones, Bee Gees...); e deixarmos nosso adesivo de viagem.













       Mais alguns quilômetros e já avistávamos o vulcão Villarrica, nosso objetivo. Essa imagem nos acompanhou até Pucon. Da rodovia, se podia ver a fumaça que emergia da cratera e pensávamos: possivelmente amanhã, estaremos subindo até lá.



       Chegamos a Pucon eram quase 15 hrs, marcando 3.280km, quando acontecia no centro da cidade, a prova de corrida a pé do triátlon. Tivemos que contornar a avenida, o que nos levou a um posto de abastecimento (onde abastecemos a moto com a gasolina 95 octanas a $ 849 (pesos chilenos)/litro) e ao Apart Hotel Del Volcan, a menos de 50 metros dessa avenida principal e próximo de restaurantes, lojas, supermercado e agências de turismo. Preço do pernoite para casal: 140 dólares com café-da-manhã (desayuno) e garagem (cascalhada...). Perfeito.
       Na mesma tarde, considerando que as agências fecham (cerram) suas portas às 20hrs, contratamos com a empresa POLITUR, a subida ao vulcão Villarrica para o dia seguinte, pagando $ 48.000 (pesos chilenos)/pessoa. A recepcionista do hotel foi muito gentil em ligar para a agência que escolhemos e reservar as vagas.
       Como ainda era cedo do dia e as lojas estavam abertas, mesmo sendo domingo, saímos à procura de roupas para trekking. Não há necessidade de adquirir roupas especiais. No entanto, como nosso plano era adquirir essas roupas (tipo calça-bermuda de tactel e camiseta de manga longa que fossem de fácil secagem), deixamos para fazer isso em Pucon. Você pode, muito bem, ir com uma calça jeans e uma camiseta que te proteja um pouco do vento.
       Ao contratar esse trakking, a agência fornece botinas; calça e jaqueta (tipo corta-vento); mochila; uma base plástica para o “esqui-bunda” na descida; os grampões; luvas; capacete; polainas; um pilete (pequena picareta para andar no gelo); balaclava (touca de lã) e se você pedir, óculos de Sol. Tudo isso está incluído no valor cobrado pela subida.
       Recebidas as instruções preliminares, provadas as roupas e as botinas, que ficaram reservadas com nossos nomes, fomos às compras (lojas e suprimentos).
       Pucon é uma bela cidade e aqui se respira turismo. Há várias opções de passeios, pesca, trekking, rafting, cavalgadas e, no inverno, esqui.







       Depois de deixarmos as compras no hotel, retornamos para o centro da cidade à procura de um lugar para jantar. Escolhido o lugar e acomodados à mesa, pedimos um chope. A garçonete perguntou se queríamos grande ou pequeno. Respondemos que, pequeno... 
    Quando retornou, fomos surpreendidos com uma caneca de chope de 500ml. Era o chope pequeno; o grande é de um litro! Portanto, lembrem-se, quando pedirem chope, estejam certos de quanto querem... 


        Em Pucon, no mesmo prédio da “Prefeitura”, ao lado da Estação de Bombeiros, há um indicador das condições do vulcão Villarrica. Como já dizem, enquanto estiver verde, tudo bem; quando mudar para vermelho, CORRAM!!


 






16/01/2012 (segunda-feira)

Pucon 


Nesse dia subimos o vulcão Villarrica.

Às 06:45 a Van da POLITUR estacionou em frente ao Hotel Volcan para nos apanhar. Depois, juntamente com os demais que já estavam na van, paramos em frente à agência de turismo; descemos e começamos a nos preparar: colocar as polainas, calçar as botas, pegar a mochila com as coisas dentro e acrescentar nosso lanche.

Havia cerca de quinze pessoas na sala. As conversas denunciavam a expectativa e a tensão que sempre nos tomam conta antes de algo desconhecido ou que planejamos tanto. Ouviam-se expressões diferentes que apontavam suas origens: ingleses, espanhóis, alemães, italianos e, brasileiros. Fomos divididos em dois grupos: aqueles que se identificavam com a língua espanhola e aqueles que se identificavam com a língua inglesa. Cada grupo foi acompanhado por um guia para receber as instruções.

  

Às 07:15 saímos de van em direção à base do vulcão Villarrica. Quinze minutos depois chegávamos na entrada do Parque Nacional Villarrica, onde tivemos que pagar pela entrada $ 1.200 (pesos chilenos)/pessoa.

Pagos os ingressos (os cobradores entraram na van para fazer a cobrança, sem que precisássemos descer), continuamos a viagem por um trecho de rípio até a base do vulcão, onde já havia outras vans estacionadas.

Descemos para recebermos os piolets (pequenas picaretas para o gelo) ,algumas instruções e iniciamos a caminhada até o posto do teleférico que está a 1.420m de altitude.




       Há a opção de pegar esse teleférico já na primeira fase (que avaliei como o pior trecho), a $ 6.000 (pesos chilenos)/pessoa. Isso economiza cerca de uma hora de caminhada e é pago quando a gente chega à estação. Não pegando esse teleférico, serão seis horas de caminhada no total.

 

        A caminhada propriamente dita, se iniciou na base do vulcão, às 08:21, a 1.386m de altitude e a temperatura de 20ºC. Depois, passando pela estação do teleférico, a 1.420m, quando comecei sentir os efeitos dessa altitude. Mas logo me recuperei.







       No fim do teleférico, a 1.805m, o grupo se reuniu para receber as últimas instruções, colocar o capacete e retirar os piolets das costas da mochila e usá-lo como bastão de caminhada. Primeiramente, na curta caminhada sobre os sedimentos e pequenas pedras vulcânicas; em seguida, sobre a neve.
Para a subida, os grupos foram divididos entre aqueles que fariam a caminhada normalmente e aqueles que teriam mais dificuldade e, portanto, subiriam mais devagar. Cada qual com seus guias. Digo no plural porque havia uns quatro guias acompanhando as quinze pessoas.

 

 

Há paradas, de acordo com e evolução da caminhada, aproximadamente a cada 20 ou 40min, para descanso rápido (cerca de 5min, 10 min, quando você poderá filmar, tirar fotos) e mais a parada para o lanche que é de cerca de 20min. Afinal, serão cerca de cinco horas de caminhada, sempre em ascensão, até a tingir o topo do vulcão que está a 2.847 m de altitude. Como se vê, não há muito tempo para fotos, fazer filmagens e ainda beber água ou fazer um lanche. Durante a caminhada temos que deixar as mãos livres. É preciso muito cuidado, tanto na subida quanto na descida. Não há espaço para distrações.

Não há banheiros nos lugares onde serão feitas as paradas. Coisa que menos se deve preocupar durante a subida é olhar para quem se afastou alguns passos para fazer xixi. Como disse o guia durante a caminhada: para as damas, as rochas.

Para o lanche (que será seu almoço) você deve levar água; se quiser, energético ou algo do tipo “Gatorade”; chocolate; sanduiche; barra de cereais (itens não fornecidos).


 





        Durante a subida não houve necessidade de vestirmos as roupas que trazíamos na mochila (corta-vento). Curiosamente, mesmo subindo pela neve, não sentimos frio. Frio sentimos ao chegarmos ao topo do vulcão, quando começou ventar.
        Em algumas paradas eu registrava a temperatura e a altitude.
        A caminhada sobre a neve se iniciou em silêncio e assim foi durante quase todo o trajeto. Não se ouviam vozes. O único barulho que quebrava esse silêncio era o som abafado do cabo do piolet batendo na neve.
        Acredito que nos olhos e pensamentos de todos só havia espaço para a admiração. Pois era isso que estávamos sentindo.
        Às 10h:24min e a 2.144m de altitude foi feita uma parada de 10min para um pequeno lanche. O termômetro marcava 25,6ºC. Não há erro de digitação: 25,6 graus centígrados!

















Às 12h46min chegávamos ao topo do vulcão Villarrica, a 2.847m de altitude. Havia muito vento e a temperatura estava em 15,7ºC. Estávamos muito cansados e as pernas doíam. Isso era o que podíamos descrever, porque a emoção de estar àquela altitude e à beira da cratera de um vulcão era indescritível.

 





Após fotos, filmagens e pequeno lanche... Chegara a hora de retornarmos.
O vento gelado começava soprar em razão das nuvens que se aproximavam do topo.
Vestimos as roupas que nos haviam fornecido (calça e jaqueta corta-vento, balaclava) e, arrumamos a placa de plástico entre as pernas para a descida como “esqui-bunda”.

 
 


        Hora de recebermos as instruções para a descida e, descermos, por uma canaleta na neve, como se fosse uma brincadeira que toda criança gostaria de fazer. Brincadeira que provoca um certo medo. Medo de tombar, de sair rolando de lado, de se machucar. Quase tudo sem fundamento, exceto o rolar e sair de lado.
       Foi tudo muito divertido, emocionante, inusitado. Houve trechos que pegávamos grande velocidade. Quando isso acontecia, usávamos o piolet como freio. Algumas vezes, virávamos de lado e tombávamos, mas a descida, após a parada inesperada, continuava.


         Ao final da descida, nos esperava aquela caminhada que não fizemos tomando o teleférico na subida.



        Às 15h32min, com a tarde nublada e com o termômetro marcando 20,7ºC, embarcávamos na van e saímos do Parque Villarrica.
        Foi uma grande aventura.
        Estávamos cansamos, mas felizes.
        Valeu cada momento (a tensão da subida, a emoção em estar à beira da cratera de um vulcão ativo, a apreensão da descida).
       Chegamos à agência de turismo ás 17:05min.






       Enquanto tirávamos as roupas sujas e molhadas pela neve, e depositávamos em um grande cesto de plástico, nossos guias preparavam uma recepção com cerveja gelada,

com a qual fizemos um brinde coletivo.

       Fiz um agradecimento pessoal aos guias, pela paciência, presteza e profissionalismo durante toda essa aventura. Não esperava palmas, mas vieram. Então, percebi que os demais também compartilhavam desse mesmo sentimento.

       Em seguida, fomos surpreendidos com um Diploma de Participação, entregue a cada um dos quinze integrantes do grupo, tendo como pano de fundo a bandeira brasileira, encostada na parede do pátio. Bandeira que serviu para eu deixar uma mensagem, assim como outros brasileiros fizeram em outras ocasiões. A mensagem que deixei foi para meu filho Jacson (para ele saber o que escrevi... Só indo lá...), companheiro de outras viagens.




       Retornamos ao hotel e após um bom banho, saímos para jantar no Restaurant e Cafeteria Trawen, localizado na Calle Fresia, esquina com a O´higgins, bem no centro de Pucon (um bom restaurante), onde a garconete Daiana Gené, juntamente com seu colega, forneceu uma lista das músicas do excelente repertório que estava tocando. Deixamos aqui, um grande abraço a ela e a seu colega, pela gentileza e amabilidade.


17/01/2012 (terça-feira)
Pucon - Puerto Varas

Depois de um bom café-da-manhã no Restaurant e Cafeteria Trawen (por conta do hotel Volcan), e com a moto carregada, nos dirigimos até as margens do Lago Villarrica para um breve passeio.
Algumas fotos e já estávamos prontos para seguir viagem.






Mais 35 quilômetros (passando por uma estrada sinuosa, toda arborizada, muito bonita), e estávamos em Villarrica. Depois, Licán Ray, às margens do Lago Calafquén, e Panguipulli, às margens do lago de mesmo nome, por uma estrada de pavimentação irregular e com alguns trechos ainda em manutenção.
Como estávamos indo em direção a Los Lagos (59 quilômetros adiante), passando por Panguipulli, avistamos uma placa de sinalização, indicando a direção. No entanto, a placa nos forneceu uma informação confusa, dúbia. Tomamos a direção que nos pareceu correta. Oito quilômetros adiante a estrada terminava às margens do Lago Panguipulli, onde encontramos um casal de chilenos que viajavam de carro, com a mesma surpresa, tendo retornado logo em seguida. Aproveitamos para tirarmos fotos do belíssimo lugar, voltando depois à bifurcação e tomando a direção certa para Los Lagos.



De Panguipulli a Los Lagos a estrada é boa, com muitas retas e ótimo pavimento. Até Los Lagos, completamos 3.415 quilômetros.
Após um lanche e abastecermos a moto, seguimos em direção a Puerto Varas, às margens do lago Llanquihue, passando pela cidade de Osorno.




Algumas curiosidades quanto aos nomes e à localização dos lugares por onde passamos. Por exemplo: Osorno é também o nome de um grande vulcão, mas não está nas proximidades da cidade de Osorno, está próximo à Puerto Varas; Villarrica também é o nome do vulcão, mas não está localizado dentro da área da cidade de Villarrica (está mais próximo de Pucon). Na Argentina, Fitz Roy é uma montanha, mas não está nas proximidades da cidade de mesmo nome (a montanha está à oeste e a cidade está no outro extremo, próxima ao oceano Atlântico); o Glacial Perito Moreno está próximo à cidade de El Calafate (50km) e não à cidade de Perito Moreno que fica a aproximadamente 400 quilômetros mais ao norte do glacial.
Durante o planejamento da viagem, inicialmente causou estranheza, mas logo foi superado.
Chegamos à bela cidade de Puerto Varas às 19h30min, completando até aqui, 3.564km.
Da rua que nos conduz ao centro da cidade, já se avista, imponente, o vulcão Osorno.



       Hospedamo-nos no Hotel Licarayen, a menos de 100 metros do Lago LLanquihue, pagando US$ 110 a diária para quarto de casal, com café-da-manhã e garagem (espaço que os carros não conseguem ocupar). As acomodações, serviços e o desayuno são muito bons.
Do quarto, além da maravilhosa vista do Lago, com a praia pontilhada de pessoas tomando Sol, a vista dos vulcões Osorno (à frente) e Calbuco (à direita).
Resultado: era para ficarmos apenas duas noites, considerando que no dia seguinte queríamos fazer alguns passeios; ficamos três.
Não fomos à praia. O Sol é forte e quase não há nuvens, mas o vento é frio. Com a proximidade da noite, o frio aumenta e é necessário colocar uma roupa mais quente.
Nesses dias que ficamos em Puerto varas, anoiteceu por volta das 21h15min (horário local, pois, assim como a Argentina, o Chile não adota o horário de verão).
Aproveitamos o que restou do dia da chegada para organizarmos a bagagem.










18/01/2012 (quarta-feira)
Puerto Varas

Depois do café-da-manhã (desayuno), saímos para conhecermos a orla do lago, na parte em que está o trapiche e o molhe, de onde saem os barcos; onde está o escritório de turismo; obtermos informações; e de onde se pode tirar belas fotos dos vulcões Osorno e Calbuco.
 


           Durante esse passeio, encontramos um casal muito simpático, de São Paulo, o Umberto e a Sida, que vieram de avião até Santiago, Chile.
Nesse lugar, o molhe de Puerto Varas, sempre circulam guias turísticos oferecendo várias opões de passeios.
Fomos abordados pelo Pedro Sepulveda, que ofereceu um dos roteiros: de van, margeando o Llanquihue, até Petrohué, seguido de navegação por meia hora no Lago Todos Los Santos, tendo ao fundo o vulcão Puntiagudo e à esquerda, o Osorno. Preço do passeio, não incluída a navegação (que deve ser paga antes de subir no barco): $10.000 (chilenos)/pessoa.
Esse circuito inclui passagem pelos Saltos do Rio Petrohué, cujo ingresso ao parque custa $ 1.200/pessoa; saltos que valem ser vistos.
Resumindo:
1)    van que nos leva até os saltos do Rio Petrohué, passando pela Laguna Verde, até o embarque para a navegação: $ 10.000/pessoa;
2)    entrada para visita aos saltos (opcional): $ 1.200/pessoa;
3)    passeio de barco (opcional-meia hora de navegação) pelo Lago Todos Los Santos: $ 3.000/pessoa;
4)    Almoço (opcional) $ 8.000/pessoa (carne assada, buffe de salada e sobremesa (postre). Se não quiser almoçar no restaurante onde se fará a parada antes dos passeios, pode levar seu próprio lanche. Mas vou dizer uma coisa: almoce no restaurante, vale o que cobram).
           Não se paga para visitar a Laguna Verde e nem para fazer o mini trakking pelo bosque que a circunda.
Total gasto: $ 23.300/pessoa.
Com eu disse acima, essa é uma das opões de passeio. Escolhemos essa por ser a mais curta (a van sai ao meio-dia de Puerto Varas e retorna às 19h30min).
Tudo esclarecido, depois do almoço, retornamos ao molhe para contratarmos o passeio para o dia seguinte.
Pagamento em dinheiro (efectivo), podendo ser no retorno.


19/01/2012 (quinta-feira)
Puerto Varas

     Dia do passeio.
Não nos preocupamos com o horário; a van somente sairia ao meio-dia...
Na hora marcada estávamos lá. Fomos privilegiados com os primeiros bancos.
 A van estava lotada e entre os passageiros, estava a família Palmas e Fuentes, de Curicó, região central do Chile, com a qual fizemos amizade. Uma bela família. Deixamos aqui, nosso grande abraço a todos (Luis, Emília, Ignácio, Valentina e Natália), encantados pela sua simpatia e amabilidade. Manteremos contato através de nossos e-mails. 
Por alguns quilômetros estivemos rodando em direção à Ensenada, por estrada pavimentada (alguns trechos em reparos), tendo sempre os vulcões Osorno e Calbuco dentro de nosso campo de visão. Parada na estrada para algumas fotos; parada para admirar a igreja Capila Santa Cruz que, assim como a maioria das antigas habitações de Puerto Varas, tem suas paredes externas todas em tabuinhas de alerce (árvore já extinta nessa região. Bosques de alerces são encontrados apenas nas Reservas Florestais como a do Parque Nacional Los Acerces na região de Esquel, Argentina). Inclusive as coberturas dessas construções são desse material.


Mais alguns quilômetros e parávamos em Ensenada para almoçarmos.
Coincidência: enquanto almoçávamos, mencionamos que tínhamos um blog. O Ignácio imediatamente nos reconheceu, pois o havia acessado dias antes de viajarem (fato que motivou comentários e boas conversas à mesa).


Depois, o almoço, uma visita à Laguna Verde, com direito a ser perseguido pelas moscas. Não moscas comuns; moscas grandes, que causam mais um efeito psicológico do que físico. Podem até picar as pessoas, mas segundo o guia, não causam mal nenhum ( a sensação é semelhante a de uma picada de mosquito).






 Depois de Laguna Verde, a van tomou a direção do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales (rípio), onde pudemos apreciar os famosos Saltos del Petrohué.






E, sentirmos a imponência das montanhas e a força das águas, navegando pela Lagoa de Todos Los Santos, desta vez, acompanhados, pelos vulcões Puntiagudo e Osorno.




       No final da tarde, enquanto retornávamos, e a van serpenteava por aqueles caminhos, cochilamos um pouco para espantar o cansaço. Cansaço esse, compensado plenamente, pelas visões inesquecíveis daquele dia.
       A van parou no mesmo lugar de onde saiu ao meio-dia: quase em frente ao hotel. Atravessamos a rua e nos preparamos para a janta, ao mesmo tempo que nos preparávamos para seguirmos viagem no dia seguinte.



20/01/2012 (sexta-feira)

SAÍDA DO CHILE
INGRESSO NA ARGENTINA
Puerto Varas - Villa La Angostura


Saímos de Puerto Varas em direção a Puerto Montt, quase oito e meia da manhã.

Em Puerto Montt foi difícil encontrar a autorizada da Suzuki (AUSTRAL MOTOS – Chillán, 480) para a troca do óleo do motor, mas encontramos. Essa dificuldade se deu porque a rua (calle) Chillán é cortada por um pequeno cerro. Essa autorizada está, portanto, do outro lado do cemitério católico, Bairro Modelo (bairro Modelo).
Horário de atendimento: das 09 às 14hrs (fechando até às 16hrs) e, das 16hrs às 19hrs.
Enquanto estava sendo finalizada a troca do óleo da moto, o Daniel contava sobre um passeio que fizera. Subira o vulcão Osorno de moto até a estação de esqui - dizia ele.
Ninguém havia mencionado isso em nenhum blog ou site!
 Para nós era algo que provocava nosso instinto de aventura.


Às 10h46min estávamos saindo da Austral Motors nos perguntando se valeria a pena tentar.
De qualquer maneira, deveríamos passar por Puerto Varas no retorno. E, uma vez por lá, por que não tentar? Isso significava praticamente, fazer o mesmo trajeto do dia anterior, quando fomos aos Saltos del Petrohué.
Mas não poderíamos deixar passar. Se não fizéssemos isso, com certeza nos arrependeríamos.



E retornamos a Puerto Varas.

Depois de Ensenada, há uma bifurcação, bem sinalizada. Seguindo por cerca de 16 quilômetros, uma estrada pavimentada nos conduz até a estação de esqui no vulcão Osorno, a 900 metros de altitude do nível do mar.

A estrada é extremamente sinuosa e requer cuidados redobrados de pilotagem. Trecho que lembra Los Caracoles, mas de curvas muito mais curtas.










Chegamos à estação de esqui quando já passava do meio dia, à temperatura de 22,7ºC.
Sempre há pessoas visitando o lugar. Alguns de van; outros de carro. Não há cobrança de ingresso para acessar essa área. Nessa estação há um restaurante/lancheria e banheiros. Dessa estação para cima, no verão, alguns grupos fazem caminhadas, acompanhados de um guia.









 



         A vista lá de cima é muito bonita.


Depois das costumeiras fotos e de um lanche, a descida, lenta e cuidadosa.




            Concluímos a descida às 15h:27min.
Já em Puerto Varas, abastecemos a moto e saímos em direção a Osorno, quando o hodômetro marcava 3.806km.
Ainda havia muito chão até o Paso Cardenal Samoré (divisa com a Argentina). Passaríamos próximo ao vulcão Puyehue, que entrou em erupção em junho de 2011 e ainda lançava suas cinzas sobre a região.
Nas proximidades do Paso Fronteiriço encontramos o João Roberto Polvani, de São José do Rio Preto(SP) e o Tiago Cardoso, que deixaram um abraço para o pessoal aqui de Erechim(RS) O Tiago pertence ao Moto Grupo CAVALEIROS DO ASFALTO, de Natal (RN). Eles estavam indo para Ushuaia, como nós. O Roberto, mais adiante, acabou nos acompanhando por um trecho da viagem. Recebam nosso fraternal abraço. É uma satisfação tê-los conhecido. Amigos que estão em nossos corações. Manteremos contato através dos e-mails que já começamos trocar.


Desde antes dessse Paso já avistávamos a devastação que o vulcão Puyehue havia causado àquela área. Por quilômetros e quilômetros via-se a vegetação seca, com suas folhas ainda cobertas pelas cinzas que não paravam de cair. Não são espessas, intensas, mas caem lentamente e de forma quase imperceptível. Sente-se o cheio de algo queimado, como troncos de uma fogueira abandonada. Por onde passamos, em alguns trechos, as cinzas se acumulavam.

 

 
Olhando sem muita atenção para as fotos, pode-se ter a falsa impressão de que se trata de neve.
Assim está toda aquela região até um pouco além de Villa La Angostura.

 

 








 



Chegamos à Villa La Angostura (4.068km), às 20h50min (ainda não havia escurecido). As cinzas se acumulavam pelas ruas, tetos das casas, jardins, obrigando os moradores e lojistas a lavarem as calçadas todas as manhãs.
Ficamos na Hosteria do Automóvel Clube da Argentina-ACA, centro da cidade, onde também há um restaurante, pagando $ 504,00 (pesos argentinos) o pernoite. Boas acomodações; possui espaço para deixar a moto (sobre o cascalho, na garagem...).
Depois da janta, o esperado descanso...

 

  



 



21/01/2012 (sábado)
Villa La Angostura - Esquel


Como a casa de câmbio só abriria às 09 horas, não tivemos pressa em nos preparar para sairmos cedo de Villa La Angostura.
Às 10 horas saímos em direção a San Carlos de Bariloche por uma rodovia de muitas curvas. À medida que nos afastávamos de Angostura, as cinzas também ficavam para trás, até chegarmos a Bariloche, com poucos indícios de que essa cidade também havia sido atingida há meses atrás.


  
O trecho que nos conduz à entrada de Bariloche é marcado por sucessivos redutores de velocidade (lombadas, quebra-molas) e o tráfego de veículos é intenso. Como não tínhamos a intensão de ficarmos por lá, abastecemos a moto logo na entrada da cidade e almoçamos em um restaurante próximo, seguindo depois para El Bolson.
O restaurante está localizado no mesmo prédio da estação ferroviária, de onde o chamado Tren Patagonico (e não o Expresso Transpatagonico) sai em direção a Viedma, em uma viagem que dura cerca de dezoito horas.

         

Chegamos a El Bolson às 15h25min. Enquanto aguardávamos nossa vez para abastecer a moto, chegaram quatro motociclistas de Buenos Aires, com quem conversamos, trocando informações.
De El Bolson a Esquel são 174 quilômetros de rodovia sinuosa e de pavimento irregular. E, SEM QUALQUER POSTO DE ABASTECIMENTO!







            Chegamos em Esquel às 18:50, com o hodômetro assinalando 4.457 quilômetros. E, após enfrentar uma longa fila de automóveis para abastecer, iniciamos a peregrinação na busca por um hotel.
Época de férias escolares, essa região recebe grande número de turistas argentinos que visitam essa região dos lagos, principalmente o Parque Nacional Los Alerces e o Lago Futalafquen.
Finalmente encontramos vaga no Plaza Esquel, ao preço de $ 440 (pesos argentinos)/pernoite.
Esquel estava em nosso roteiro porque pretendíamos (se tivéssemos chegado há tempo) embarcar no Expresso Transpatagonico em um passeio tour de cerca de duas horas.
Apelidado de La Trochita, esse trem parte de Esquel e vai até El Malten, fazendo o trajeto de volta em dois horários (10h30min e 15h). É necessário consultar a agência de turismo local para se informar sobre os dias e os horários em que estará funcionando.
O trecho entre El Bolson e Esquel e as sucessivas demoras em abastecermos a moto em razão das grandes filas em postos de gasolina, contribuíram para chegarmos atrasados. Por isso, desistimos do passeio de trem (o que exigiria que ficássemos mais um dia).
Ainda não havíamos chegado à metade da viagem para Ushuaia.
Precisávamos ser mais objetivos em nossas escolhas.



22/01/2012 (domingo)
Esquel - Caleta Olivia




Durante o café-da-manhã, encontramos o Hugo Perez, um dos três motociclistas chilenos que estavam hospedados no Plaza Esquel. Estavam indo a Punta Arenas para um encontro motociclístico patrocinado pela Harley Davidson, ocasião em que nos convidaram para participar. Dos três (Hugo, Mário e Jorge), um deles, o Jorge, estava pilotando uma Kawasaki.

Depois do café, voltamos a nos ver enquanto nos preparávamos para sair. A partir desse encontro matinal e de outros que ocorreram durante a viagem, a amizade se consolidou, ao ponto de o Jorge nos acompanhar por um longo trecho (Esperanza - El Calafate - Esperanza).
Em Punta Arenas, voltamos a nos encontrar com os demais.
Aos amigos Hugo, Jorge e Mário, um lugar em nossos corações e nosso grande abraço. Continuaremos em contato através de nossos e-mails.


  

Seguimos, cada qual no seu ritmo, na direção de Tecka, a 94 quilômetros e sem posto de abastecimento. Depois, Gobernador Costa, mais 175 quilômetros onde, novamente, enfrentamos longa fila em um posto de gasolina (nafta).
Abastecida a moto, continuamos a viagem até Sarmiento, a 251 quilômetros de Gobernador Costa.
Chegamos em Sarmiento às 15h30min, onde, mais uma vez, havia fila para abastecer. Adaptados à situação, que se tornara comum, até ficávamos felizes quando avistávamos fila em postos de gasolina. Sinal de que havia combustível...
Até Sarmiento, fechamos 4.896 quilômetros. Preço da gasolina Super XXI, $ 4,69 (pesos argentinos)/litro.
Nossos amigos haviam chegado momentos antes.




 
  
Feito o lanche e abastecida a moto, rumamos à Comodoro Rivadavia.
Nesse trecho, também é comum avistarmos máquinas extraindo petróleo.

Nossos amigos preferiram ficar em Comodoro Rivadavia.
Nos despedimos no trevo de acesso e seguimos mais 90 quilômetros até Caleta Olívia.

 

 

Chegamos em Caleta Olívia às 18h15min, perfazendo 5.102 quilômetros.
Do posto de abastecimento às margens da rodovia, tem-se uma belíssima vista do Oceano Atlântico.
Era fim de tarde e ainda havia muitas pessoas à praia.
Estava um pouco quente, mas o vento frio fazia com que essa temperatura fosse agradável,
Em Caleta Olívia nos hospedamos no Hotel Robert, no centro da cidade, próximo ao monumento ao Trabalhador Petroleiro, pagando $ 429 (pesos argentinos)/pernoite, incluída a garagem (cochera) e SEM café-da-manhã.




 
Saímos para jantar e, quando caminhávamos de volta ao hotel, encontramos nossos amigos chilenos, também caminhando, em busca de um lugar para jantar. Nos cumprimentamos, rindo, surpresos. Eles não conseguiram lugar para ficar em Comodoro Rivadavia e resolveram seguir até Caleta Olívia e, acabaram se hospedando no mesmo hotel em que estávamos.


23/01/2012(segunda-feira)
Caleta Olivia - Piedra Buena


Saímos de Caleta Olívia às 09h10min com fortes ventos laterais.
A partir dessa região iniciam os ventos na patagônia.
Em Três Cerros, em um posto de serviço, encontramos dois motociclistas italianos que retornavam de Ushuaia: Nicoli, que reside em Santiago(Chile) e Ernesto, que veio da Itália para umas férias. Nicoli nos passou algumas informações importantes. A eles, votos de boas viagens e um grande abraço.

  

A próxima parada foi em Puerto San Julian, às 14hrs, fechando 5.461 quilômetros rodados.
Havia algumas nuvens, mas o dia estava bonito, com ventos ainda soprando forte. Algumas vezes, caía uma fina garoa, depois, o sol aparecia intenso. E assim foi durante toda aquela tarde. Para as pessoas que vivem nesse local, apesar dessa instabilidade, estava quente e, muitas delas vestiam camiseta e bermuda. Para nós, não estava tão quente assim e nos sentimos confortáveis em nossas roupas de viagem.
 Depois de entrarmos em uma fila para abastecermos a moto, procuramos um escritório de informações turísticas da cidade, onde fomos muito bem atendidos.
Sabíamos de alguns locais e serem visitados e havíamos pensado em ficar em Puerto San Julian naquela noite. A atendente do escritório se propôs a ligar para vários hotéis e pousadas, mas foram infrutíferas as tentativas. Ou não havia quartos disponíveis, ou, não havia lugar para deixarmos a moto ou ainda (estávamos com pouco dinheiro), não aceitavam cartões (tarjetas) de crédito. De maneira que, optamos por visitar a nau Victoria e seguirmos viagem.

  

A Nau Victoria é uma réplica da caravela que aportou em Magalhães por volta de 1520, trazendo uma tripulação que ao longo de dois anos navegou pelo Atlântico em busca de uma passagem para as Índias. Visitando o interior nessa nau se pode imaginar as dificuldades e riscos dessa grande aventura, dada as péssimas condições de alojamento e de logística. Ferramentas e instrumentos de navegação, assim como demais utensílios foram recriados para que o visitante pudesse ter uma idéia da dimensão desse empreendimento, onde, o leme, por exemplo, era comandado “no braço”, por um marinheiro.


  


 

  

   


 



  
     Nem sempre é possível, o passeio pelo interior do navio, pois em momentos que chove, não é permitida a visitação. Nesse mesmo dia, tivemos que aguardar quase uma hora para que pudéssemos entrar. Havia caído uma chuva fraca. O Sol apareceu, mas era preciso aguardar, tomando um mate...


Preço do ingresso para estrangeiros: $ 12(pesos argentinos)/pessoa. Bilhetes adquiridos na bilheteria (boleteria), com o Cláudio, que foi muito amável em guardar nossos capacetes (cascos) e a mala (bolsa) de tanque. Horário de atendimento: de segunda a domingo, das 08 às 22hrs.
A visita é acompanhada por um guia. No dia, fomos acompanhados pelo Martin, prestativo e atencioso.
Pessoas como essas e como a que nos atendeu no escritório de turismo, respeitando e valorizando o turista, fazem a diferença.
Não somente em Puerto San Julian, mas em todos os lugares que visitamos, fomos recebidos com amabilidade e solicitude.
Concluída a visita, saímos na direção de Comandante Luis Piedra Buena, onde novamente encontramos o Roberto, de São José do Rio Preto(SP), enquanto abastecíamos a moto. Decidimos ficar em Piedra Buena, mas o Roberto optou por prosseguir viagem. Pernoitamos, próximo a este Posto de abastecimento, às margens da Ruta 3, Hotel Santa Cruz (boas acomodações, a $ 250 pesos argentinos/pernoite, mas não há garagem.). Ao lado (50 metros) há um restaurante, onde jantamos.
De Puerto San Julian a Piedra Buena, rodamos 120 quilômetros e quase não havia vento.



24/01/2012(terça-feira)
Piedra Buena - El Calafate

Saímos cedo (temprano), de Piedra Buena e rodamos 210 quilômetros até Güer Aike, pequeno povoado no entroncamento (cruce) das Rutas 3 com a 5. Nesse trecho, novamente encontramos os guanacos.
Como animais silvestres, os guanacos vivem livremente e seu abate é proibido. Muitas vezes, dividem o pasto com ovelhas (corderos), em estâncias de criação extensiva. A qualquer momento podem atravessar a rodovia, saltando elegantemente as cercas de arame farpado.


Não há posto de combustível em Güer Aike e, como nosso próximo destino era El Calafate, a 285 quilômetros à noroeste desse cruzamento, tivemos que andar 30 quilômetros em outra direção (leste) para abastecer em Rio Gallegos (outra vez, fila enorme). Isso nos fez perder tempo e combustível, retornando mais 30 quilômetros a esse trevo.
Nos primeiros 120 quilômetros entre Comandante Luis Piedra Buena e Rio Gallegos, não havia vento. Depois, nos últimos 120 quilômetros, enfrentamos ventos fortíssimos e muito frio. Apesar do Sol e do Céu azul, enquanto rodávamos o termômetro assinalava 7,9ºC.
Até Rio Gallegos, havíamos completado 5.831 quilômetros e, parados, enquanto esperávamos para abastecer, o termômetro registrava 17,8ºC.
Feito o lanche e abastecida a moto, retornamos ao cruzamento em direção a El Calafate, com parada em Esperanza, a 150 quilômetros de Rio Gallegos (e a 130 quilômetros de nosso destino), para abastecer.
Em Esperanza o posto de serviço estava sem gasolina (nafta) desde o dia anterior e a previsão era recebê-lo somente na sexta-feira.
O Roberto havia chegado minutos antes e pensava em alguma forma de conseguir combustível. Em seguida, chegou o Jorge, nosso amigo chileno. Enquanto tomávamos café, planejávamos como prosseguir.
Eu levava quatro litros em um tanque de plástico dentro do baú traseiro; o Jorge também tinha se precavido com uma reserva; mais o que ainda havia no tanque da sua moto, disse ele, poderíamos ficar bem. E prosseguiu; se rodássemos a 90/100 km/h e aproveitássemos os declives, sobraria combustível. Cálculo feito, se ofereceu para nos acompanhar até El Calafate. Eu aceitei, mas o Roberto preferiu ficar.

  



Mesmo rodando, conforme o previsto, quando faltavam uns 30 quilômetros para chegarmos, fui obrigado a recorrer à reserva.

            Por volta de 16hrs chegávamos em El Calafate. Abastecemos a moto e fomos à procura de um hotel. Optamos por ficar no hotel Upsala (boas acomodações), a $ 300 (pesos argentinos)/pernoite/casal, com café-da-manhã (desayuno). A moto ficou no estacionamento do hotel (grama e pavimento).
El Calafate também é uma cidade essencialmente turística e assim como San Martin de Los Andes, Puerto Varas e Pucon, lembram um pouco de Gramado, no Rio Grande do Sul.

  


  

Depois de um bom banho, saí para contratar o passeio ao Glacial Perito Moreno para o dia seguinte. Há várias empresas que intermediam ou promovem esses passeios. Escolhi a primeira que encontrei, Morresi Viajes que intermediou o passeio com a empresa Hielo & Aventura (visita ao parque e mini trekking sobre a geleira, incluindo o transfer hotel-glacial-hotel), por $ 1.134 (pesos argentinos)/casal.
Depois de uma boa janta, retornamos ao hotel.


25/01/2012(quarta-feira)
El Calafate

Às 08h40min embarcamos no ônibus em frente ao hotel; passou por mais dois lugares recebendo turistas, para depois, tomar a direção do Parque Nacional Los Glaciares a 75 quilômetros de El Calafate.
Uma hora e meia de viagem e chegávamos às passarelas.
Nesse local há uma estrutura bem montada, aguardando o turista (loja de souvenirs, banheiros, lancheria), mas não é permitido subir até lá depois das sete da manhã, usando carro, moto ou outro veículo. Você pode ir de carro ou moto, até a entrada do parque, situada bem antes desse local, deixar lá o veículo e subir com uma van autorizada (sempre há disponível).

   


  

Logo ao descer do ônibus, um guia informou sobre o trajeto e o tempo que podemos permanecer (duas horas), até o retorno ao ponto de encontro, de onde partiríamos até o porto para o Safari Náutico. Também fez várias recomendações sobre o destino do lixo. Este, deverá retornar com o visitante (não há lixeiras no parque).


 


Durante esse circuito pelas passarelas, encontramos o Roberto e combinamos sair no dia seguinte, às 7 horas, rumo à Esperanza.





Quanto ao almoço, você pode levar seu próprio lanche (foi o que fizemos) e sentar em um dos bancos, enquanto aprecia a vista maravilhosa do Glacial Perito Moreno.
Das passarelas, ouvindo constantemente o rugido do glacial, como se estive vivo, ficamos à espreita de uma das visões mais espetaculares desse monstro branco: o desprendimento de enormes blocos de gelo. Primeiro, ouve-se um estalido forte, como se algo estivesse sendo arrancado; depois, um estrondo; a seguir, a queda. Infelizmente, não conseguimos registrar, apesar de termos ficamos algum tempo com a máquina pronta; mas conseguimos ver o final.





           O tempo estava se esgotando. Subimos até o local combinado, na entrada do Parque, e o ônibus nos levou até o local de embarque para o Safari Náutico.
É no porto Bajo de Las Sombras, que se inicia a navegação que dura cerca de vinte minutos, por um dos braços do Lago Argentino (Brazo Rico), passando próximo ao glacial e descendo à sudoeste, ponto de partida para o mini trekking sobre a geleira.

  

          Tão logo descemos do barco, os guias reuniram os grupos em frente ao refúgio (bem aparelhada construção em madeira, com banheiros, onde deixamos o que não precisaríamos levar), orientando sobre a caminhada e o local onde seriam fixados os grampões nos calçados.
Para a caminhada recomenda-se usar óculos de Sol, protetor solar, roupa confortável (tipo corta-vento ou, em tactel), boné, luvas (guantas) e botinas para trekking. Esse material não é fornecido.


  

Pouco antes de iniciarmos o mini trekking sobre o gelo, em um pequeno descampado, novamente os guias separaram os turistas em dois grupos: aqueles que se identificavam com a língua inglesa e aqueles que tinham facilidade com a língua espanhola, dando início a uma pequena palestra sobre a formação do glacial, suas rupturas e avanços.
Vencida a primeira etapa da caminhada sobre o pequeno bosque e parte aberta, chegamos até os abrigos, em uma elevação, a cerca de 100 metros do glacial, onde foram colocados os grampões, enquanto recebíamos instruções de como utilizá-los (principal dica: cravá-los com força, no gelo, a cada passo). 

  




  


  

Em seguida, iniciamos o mini trekking sobre o glacial (obra monumental da natureza, mas igualmente, assustadora). Escoadores (buracos enormes no gelo); pequenos córregos, provenientes do derretimento da geleira; fendas, são algumas das imagens de sua imponência, marcada por paredões de cerca de 60 metros de altura, 30 quilômetros de extensão e cinco quilômetros de largura.






 



A caminhada consome aproximadamente uma hora e meia e, para aplacar um pouco a sede, um gole da água produzida pelo degelo...



No final, nos esperava um coquetel e, um brinde (com uísque, e gelo do próprio Glacial) àqueles que se aventuraram por aquelas trilhas geladas e, à própria natureza, que nos proporcionou visões inesquecíveis, nos deslumbrando com seu colorido e seus tons.

   


           Às 19 horas chegávamos de volta ao hotel.

   



26/01/2012(quinta-feira)
El Calafate - Puerto Natales

Devíamos ter acordado às 5:30, mas o relógio não despertou ou, se despertou, não ouvimos.
Às 6:30 o Jorge bateu à porta do quarto.
Às pressas, arrumamos nossas coisas, tomamos rapidamente o café-da-manhã e saímos. Já eram 7:30. Pensamos: o Roberto deve estar cansado de esperar. Mas no ponto marcado para encontrá-lo, não estava.
Não havia muito vento e pudemos rodar bem até Esperanza. Logo chegou o Roberto. Ele também se atrasara. Havia nos procurado momentos antes no hotel e, como disseram que já havíamos saído, acelerou.
Em Esperanza, depois do café, nos despedimos do Jorge, que tomou a direção de Rio Gallegos e seguimos com o Roberto para Rio Turbio.
Partimos de Esperanza (ainda sem combustível), sob fortes ventos laterais. Depois de rodarmos mais 100 quilômetros (243 quilômetros desde El Calafate), encontramos um posto de serviço em Tapi Aike, na direção de 28 de Noviembre e antes do nosso destino, onde abastecemos. O vento era tão forte que as motos balançavam, mesmo estacionadas.
Prosseguimos até a zona carbonífera de Rio Turbio, completando 6.464 quilômetros de nossa jornada.
Após abastecermos e fazermos um lanche, seguimos para o Chile, ingressando pelo Paso Dorotea.
No cruzamento das Rutas RCH-250 e RCH-9, nos separamos. Nós, seguimos pela 250 até Puerto Natales; o Roberto seguiu pela Ruta 9 em direção ao Estreito de Magalhães.


   


Puerto Natales, capital da Província de Última Esperanza é a porta de entrada para a região mais austral do planeta; região também conhecida como “fin del mundo”.
Em Puerto, ficamos no Hotel Milodón (simples, com boas acomodações), pagando $ 25.000 (pesos chilenos)/pernoite com café-da-manhã. A garagem é muito pequena, mas a proprietária sugeriu que colocássemos a moto no corredor de entrada do hotel (nada melhor...).
Através do próprio hotel, contratamos para o dia seguinte o tour às Torres del Paine, Salto Grande, Lago Grey e à Cueva del Milodón com uma agência local, ao preço de $ 70.000 (pesos chilenos)/casal, não incluído o preço do ingresso ao Parque Nacional Torres del Paine ($ 15.000 pesos chilenos/pessoa). Nada se paga para visitar a Cueva del Milodón. Esses passeios duram o dia inteiro.
A Cueva del Milodón é uma caverna gigantesca, onde viveu um animal pré-histórico (Milodón). Lugar fascinante que merece ser visitado.
Já na entrada de Puerto Natales, se pode ver uma escultura desse animal pré-histórico, símbolo da cidade, cuja imagem também está presente nas placas indicativas de ruas.
  


Para essa excursão, que dura o dia todo, não deixe de levar água e, procure usar uma roupa leve e, preferencialmente impermeável. Pode garoar ou mesmo chover em alguns momentos. Você pode levar seu lanche, mas se preferir não levar, no local em que está prevista a parada para o almoço, há um restaurante que serve carne assada, saladas e massas.
Tudo acertado e provido das informações necessárias, saímos do hotel para um passeio pelo centro da cidade à procura de um lugar para jantar. Escolhemos o restaurante Mares Patagónicos.
Fomos muito bem recebidos pela proprietária Maria Angélica e pelo garçon Oscar, sempre simpático e prestativo.
Costumo dizer para os amigos: figurativamente, a diferença entre escolhermos um, a outro serviço, pode ser de apenas um sorriso.

  



SEGUNDA PARTE

PATAGÔNIA SUL e
TIERRA DEL FUEGO



27/01/2012(sexta-feira)
Puerto Natales

Durante a viagem, muitas vezes ficávamos em dúvida. Em que dia da semana ou do mês estávamos vivendo?
Perde-se temporariamente a noção do tempo. Faz-se tanta coisa, que já nem sabemos mais em que dia estamos.
Para as empresas de turismo, todo dia é dia de negócios, seja segunda; seja quarta-feira. É assim que a gente entra nesse embalo. Como todos os dias são iguais, pouco importa que seja um ou outro dia. Na estrada, igualmente não há distinção. A vida segue seu curso. Pessoas vão e voltam.
Nessa sexta-feira, iniciamos mais uma excursão. Dessa vez, não para uma caminhada até as Torres del Paine, mas apenas apreciá-las de longe em toda sua magnitude e beleza.
As Torres del Paine (Torrre Sul, 2.850m de altitude; Torre central, 2.800m; Torre Norte, 2.248m e a Torre Nido del Condor, 2.243m ), juntamente com os Cuernos del Paine (2.600m) e o Monte Paine (3.050m), fazem parte do Maciço Paine, formações de granito e gelo que compõe o Parque Nacional Torres del Paine. Para visitá-lo, parte-se de Puerto Natales a 125 quilômetros ao Sul.
A van estacionou em frente ao hotel às 07:45, quase lotada. Acomodamo-nos nos últimos bancos. Havia mais dois lugares vagos que, logo foram preenchidos por um jovem casal da Bélgica, o David e a Karen com o qual fizemos amizade. Deixamos aqui nosso abraço.
Marcos, o condutor da van e também, guia, merece referência; foi excelente cicerone. Fisicamente parecido com o Maradona, foi muito divertido e solícito, compensando o desconforto do interior da van.
A partir de Puerto Natales, por cerca de 40 quilômetros de estrada pavimentada, chega-se à localidade de Cerro Castillos para uma parada (há banheiros, lancheria muito bem estruturada, com artesanato, mapas). Nesse cruzamento, à direita, o Paso Fronteiriço para a Argentina, à esquerda, o caminho nos conduz às Torres del Paine.

 


      Partindo de Cerro Castillos e tomando à esquerda por mais cinco quilômetros, rodamos sobre o asfalto; depois, por mais cinqüenta quilômetros, rodamos por rípio (muito ruim, cheio de costeletas e pedras soltas) até a entrada do Parque Nacional Torres del Paine, onde pagamos o ingresso. Assim que terminou o asfalto, já conseguíamos avistar as Torres ao longe.
Nesse trajeto novamente encontramos guanacos, além de águias (difíceis de fotografar), avestruzes e outros animais silvestre.

 


 


          O guia, experiente, chamava a atenção quando havia algo que motivasse uma parada para fotos ou filmagens. Algumas vezes, nós mesmos, da van, embora nem todos descessem, pedíamos um breve instante para fotos, ao que éramos atendidos. Mas o condutor da van, assim que iniciava o deslocamento, não perdia tempo, acelerava. Daí porque, por estradas sem pavimentação e cheia de curvas, é preciso estar preparado. Se alguém sofre de enjôo, é melhor tomar um dramin antes (desses com vitamina B6, que não provoca sono).
Passamos pela Laguna Amarga, de água extremamente salgada. Segundo ele, além dessa lagoa, apenas mais dois ecossistemas possuem bactérias que podem gerar qualquer tipo de organismo: no parque de Yellowstone, Estados Unidos, e na Austrália. Seguidamente o governo chileno colhe amostras dessa água para pesquisas e para identificar possíveis alterações.
Margeando a Laguna Amarga (tendo ao fundo as Torres del Paine), vê-se guanacos e flamingos.





Depois dessa lagoa, continuamos, por mais 20 quilômetros dentro do Parque para admirarmos os Cuernos del Paine, segundo maciço do complexo. A partir daí, já podiamos ver a devastação provocada pelo incêndio que atingiu esse parque. Nas fotos, se vê claramente os arbustos e a terra manchados pelo fogo. Fogo que acabou destruindo a guarita do guarda-parque que existia nessas proximidades.




  


À certa altura do passeio, a van se deteve para que pudéssemos apreciar a cascata Salto Grande, monumental queda d’água do Lago Pehoe, tendo ao fundo os Cuernos del Paine. Na entrada, a advertências da possibilidade de ventos fortes (o que nos aconteceu durante esse passeio).

   










 
Depois do salto, passando pelo complexo Explorer (hotel e restaurante situado em uma ilha do Lago Pehoe, uma parada no Camping Pehoe, às margens do lago de mesmo nome.


          O lugar possui pequenas cabanas, que eles chamam de refúgio, sem banheiros (pode-se dizer que essas pequenas construções apenas substituem as barracas. Os banheiros estão fora, mas possuem chuveiros com água quente), onde se pode cozinhar e se abrigar do frio. Preço: $ 8.000 (pesos chilenos)/pessoa. Eles fornecem lenha picada, a $ 5.000(pesos chilenos) o amarrado.
Foi onde paramos para o “almoço”.
A parada foi de cerca de quarenta e cinco minutos.

 




Depois do almoço, nos reunimos à frente da van para seguirmos para o Lago Grey.
Na entrada do parque, a placa do Mirador do Lago Grey indicava um caminho através de um belíssimo bosque. A ponte pênsil sobre o Rio Pingo fazia parte dessa paisagem, completada pela linda vista do Lago, decorada ao fundo com os maciços Paine e o Glacial Grey. Por opção dos que estavam na van (inclusive nós) a navegação não estava no tour contratado.

 








Retornando à estrada, seguimos novamente, por caminho de terra. Dessa vez, à Cueva del Milodón; monumento natural e último ponto da excursão.
Pudemos observar que alguns ângulos de suas enormes paredes internas e mesmo do lado de fora dessa gigantesca caverna, são compostos por maciças estampas de sedimentos e pedrinhas de rio, como se alguém os houvesse concretado. Um registro desconcertante do que a natureza pode fazer ao longo de milhares de anos.

   

 





Curiosidade satisfeita e levando em nossas mentes e olhos a admiração de tão fantástica construção natural, retornamos à van, relaxando um pouco, enquanto o “Maradona” dirigia célere por aqueles caminhos, até nossa chegada em frente ao hotel.



28/01/2012(sábado)
Puerto Natales - Punta Arenas

 Saímos de Puerto Natales às 5:25hrs. Não havia vento, mas estava muito frio.
O Sol ainda estava surgindo no horizonte quando ingressamos na Província de Magalhães. Da rodovia se avista o Monumento aos ventos da Patagônia. Esculturas em forma de finas pilastras em aço, que se elevam do chão, tendo arcos transpassados em sua borda superior.



 

Após 246 quilômetros, chegávamos em Punta Arenas, capital da Província de Magalhães, completando 6.741 quilômetros.
Conforme havíamos combinado com nossos amigos chilenos, nos encontramos em frente ao Hotel Dream (nosso bolso não alcançou a portaria...). Após breve parada, saímos à procura de um hotel e, depois de muito rodar, encontramos vaga no Hotel Condor de Plata (boas acomodações) ao preço de $US 75,00(dólares)/casal. A moto poderia ficar nos fundos da garagem, mas na hora de saírmos, teríamos que pedir para alguém tirar os carros que ficavam à frente. Preferimos deixar a moto bem em frente ao hotel, de maneira que da portaria ela poderia ser vista.
Esse hotel leva o nome do primeiro avião a voar sobre Magalhães. Uma homenagem ao alemão Günther Plüschow, que em 1928 se aventurou por esses ares gelados. Foi o precursor do primeiro correio aéreo internacional, fazendo o trajeto entre Punta Arenas e Ushuaia.

  

Como ainda era cedo da manhã (10 horas), preferimos conhecer a zona franca de Punta Arenas. Formada por vários pavilhões, onde abrigam diversas empresas e marcas, é uma enorme área de compras, incluindo grande supermercado e shopping. Primeiramente, fomos adquirir um cartão de memória para nossa máquina fotográfica. Entretanto, assim como nas demais pesquisas que fizemos, os preços estão semelhantes aos praticados em Rivera, no Uruguai, por exemplo. Não há nada de extraordinariamente barato nessa zona franca. Para se ter idéia: por esse cartão de memória “Memory Stick Pro-HG Duo”, de 8 GB, pagamos $24.900 (pesos chilenos); o equivalente, ao câmbio oficial, a R$ 93,65. Comprei porque receava ficar sem em plena viagem.

   

Depois de circular por mais algumas lojas (perfumes, mochila), usamos o resto da tarde para passearmos pelo calçadão da orla e pelo centro da cidade.
De volta ao hotel, nos preparamos para a janta e para a visita ao Fuerte Bulnes no dia seguinte.

   


   


   


  

Estava acontecendo um Encontro Motociclístico em Punta Arenas, promovido pela Harley Davidson, mas era em uma ilha a 50 quilômetros do centro, por uma estrada de rípio. Para chegarmos lá, deveríamos passar por um braço de mar em uma balsa. Não tínhamos muito tempo e não queríamos arriscar. Ainda tínhamos muito chão até Ushuaia.


29/01/2012(domingo)
Punta Arenas

Dia da visita ao Fuerte Bulnes. Uma viagem no tempo, como anuncia um folheto.
De Punta Arenas até o forte, são 68 quilômetros (45 de asfalto e 23 de rípio. Mas o rípio está em bom estado).
Saímos às 08:50hrs da frente do hotel e às 09:50hrs estávamos em frente à entrada do Parque Historia Patagonia, Setor Fuerte Bulnes y Punta Santa Ana, descrito como “o maior patrimônio histórico e cultural do fim do mundo”. Horário de abertura: das 10hrs às 19hrs de segunda a domingo, nos meses de outubro a março. Preço do ingresso: $1.000 (pesos chilenos)/pessoa. Depois da entrada, percorre-se aproximadamente três quilômetros por rípio até o forte (a estrada é boa). Pode entrar com  carro ou com moto.

          


Na entrada do forte há toda uma infraestrutura, com banheiros e uma pequena lancheria onde, além dos lanches, também são vendidos alguns souvenirs.


Logo na chegada, um guia estacionou uma van com turistas e, antes de iniciar a exposição, nos convidou para participarmos. O que foi muita gentileza de sua parte. Agradecemos e nos juntamos ao grupo. Ao final, sabíamos um pouco mais da história da colonização chilena que, também é a história da colonização da América do Sul, e as tentativas para manter sob seu domínio aquele território tão inóspito.
Para lá foram enviados pequenos infratores como forma de compensar as penas. Em troca, deveriam lá se estabelecer e desenvolverem alguma atividade econômica. Tentativa que não obteve o resultado esperado, pois as condições eram tão adversas que preferiram (ao custo de revoltas), se estabelecer em Punta Arenas.

Finalizada a exposição, o grupo se dispersou e nós iniciamos a caminhada pelo forte, nos deslumbramos pela fidelidade das construções, uma vez que, tudo aquilo é uma réplica do que, um dia, foi essa fortificação. Ficávamos imaginando as dificuldades e privações pelas quais passaram seus ocupantes à época.

  

  


    


 




Por fim, através de um pequeno bosque o acesso ao Mirador Punta Santa Ana, parte mais meridional do território chileno, situado em frente ao Estreito de Magalhães.

  

Ao meio-dia, saímos do Parque, encontrando pelo caminho um grupo de motociclistas em suas Harleys, que acabava de chegar.
Ao longo da costa (costanera), admirávamos o mar, parando várias vezes para fotografarmos os barcos. Alguns já em desuso, avariados, jaziam ao tempo como se ali, fosse um grande cemitério de navios; outros, pareciam descansar nos fundos da casa de um pescador qualquer, (como se estivesse em uma “garagem”), aguardando a hora de se pôr ao mar. Outros, ainda, completamente sem vida, eram como provas das batalhas constantemente travadas entre o homem e as forças da natureza que nenhum homem pode dominar.

 







Ainda imersos nessas divagações, chegávamos a Punta Arenas para o almoço.
Depois do almoço, aproveitamos o tempo para uma visitinha a outro shopping. Este, nas cercanias da cidade, longe da Zona Franca. Depois de percorrermos todo o lugar, resolvemos sentar à uma mesa e pedir um sorvete(helado). Dica: se querem sorvete grande, não peçam “doble”; basta o simples. O “doble” é o equivalente a aproximadamente oito bolas das que costumamos ver aqui no Brasil.
Retornamos ao hotel com comida pronta adquirida no supermercado do shopping (foi a nossa janta).


30/01/2012(segunda-feira)
Punta Arenas - Ushuaia

Às 5:40hrs estávamos saindo de Punta Arenas em direção ao Estreito de Magalhães.
Seguimos pela Ruta RCH-9 até Gobernador Phillipi, onde dobramos à direita, tomando a RCH-255 até o cruzamento com a Ruta RCH-257. Viramos novamente à direita e às 08:20hrs estávamos em Primera Angostura, local de saída da balsa e onde uma pequena fila de veículos já se formava.

  


  
O local possui vários prédios de construção moderna e de pés-direitos baixos. Contudo, desprovidos de infraestrutura (não há lancheria, nem banheiros). A única opção para as mulheres é usar os banheiros da unidade da marinha chilena.
Tínhamos a informação (Internet e local) de que a primeira travessia ocorreria às 8:30hrs. A balsa saiu às 8:45. Em seu interior há banheiros e uma pequena lancheria.

  

  
O pagamento dá-se durante a travessia. Paga-se em pesos chilenos ou argentinos. Pagamos com pesos chilenos $ 4.200 (somente é cobrado sobre o veículo).

  

De Angostura Norte (do outro lado do Estreito) até Cerro Sombrero, pela Ruta RCH-257, são cerca de 44 quilômetros de ótima pavimentação. A partir daí, rípio, até San Sebastian, já em território Argentino.



Partindo, então, de Cerro Sombrero, passamos por Estância Tierra del Fuego, Cullén; depois, Filaret, Estância San Sebastian (Paso San Sebastian, onde fizemos os trâmites aduaneiros para entrada na Argentina).
No total, rodamos 110 quilômetros de rípio. Nos primeiros 60 quilômetros a estrada estava boa e conseguimos andar a 60/65km/h, mas depois, as irregularidades na estrada (pequenos buracos, pedras soltas e muito pó), nos obrigaram a diminuir drasticamente a velocidade, ao ponto de rodarmos a 30/40 km/h.
Foi uma viagem cansativa. Exigiu cuidados redobrados, pois eu havia instalado o cavalete central na V-Strom e, por muitas vezes raspou nas pedras e nas pequenas depressões da estrada. Estava receoso em tirá-lo.  E se fura um pneu, como vou fazer para trocá-lo? Embora eu tivesse aplicado a vacina de pneu, ainda não havia comprovado sua eficácia (e esperava nunca ter de comprovar). Quando da revisão na chegada em casa, mandei tirar o cavalete central.



De San Sebastian, pela Ruta 3, seguimos a Rio Grande. Depois, Tolhuin e, finalmente, Ushuaia, às 19:35hrs com frio e Céu nublado, completando 7.525 quilômetros rodados. Esse trajeto está todo pavimentado. O trecho entre Tolhuin e Ushuaia é marcado por curvas e trânsito intenso, principalmente de automóveis.







Tivemos dificuldade em encontrar um lugar para ficar: ou não tinham quarto de casal; ou tinham, mas com banheiro coletivo; outros ainda, não possuíam garagem. Finalmente, encontramos um bom lugar para passarmos os próximos três dias: Posada Fueguina; cabanas, a três quadras da rua San Martin (a principal), onde há restaurantes, lojas e próximo (sete quadras) do histórico Presídio de Ushuaia e do anexo Museu Marítimo, e há quatro quadras do Porto, de onde saem os barcos para passeios.
Custo: $622(pesos argentinos)/pernoite por casal com ótimo café-da-manhã (desayuno). Pelo que vínhamos pagando, foi caro e demoramos um pouco para decidir, mas depois, vimos que valeu à pena, pelas acomodações e pela localização (afinal, não é todo dia que se vai a Ushuaia...). A moto ficou, praticamente, em frente à cabana.
Registra-se: há hotéis em Ushuaia para todos os gostos e bolsos.

   

Já era tarde e estávamos cansados. Depois da janta, retornamos à Pousada, deixando para o dia seguinte a visita à cidade e a contratação dos passeios que vínhamos planejando.


31/01/2012(terça-feira)
Ushuaia

Nesse dia, tivemos o primeiro contato com o clima de Ushuaia.
Em um dia apenas, vimos e sentimos as quatro estações do ano. Às 10:24hrs estava frio (5ºC), o Céu estava nublado, mas não prenunciava chuva. Às 11:08hrs iniciou uma fina garoa e, em seguida, uma breve precipitação de granizo. Duas horas depois, o frio diminuira e não estava garoando. O Céu ficou mais limpo, o Sol apareceu forte e a temperatura aumentou um pouco, permitindo que abríssemos a parte externa de nossas jaquetas. Essa instabilidade durou o dia inteiro. No entanto, a média da temperatura ficou em 6ºC, mas o vento que soprava produzia uma sensação de frio ainda maior.

   

Aproveitamos o dia para conhecermos um pouco da cidade e, claro, carimbarmos nossos passaportes na Secretaria de Turismo de Ushuaia.

  



   


 

          Depois de carimbarmos os passaportes, formos à procura de uma agência para contratarmos os passeios para o dia seguinte (pela manhã: excursão à Ilha dos Pássaros, Ilha dos Lobos Marinhos e Faro Les Eclaireus - Farol do Fim do Mundo; à tarde, excursão à Ilha Martelo - Isla Martillo, para passear entre os pinguins. Preço desses passeios: $ 585,00(pesos argentinos)/pessoa. Ambos saem do porto, a cem metros do escritório da Secretaria de Turismo de Ushuaia. Ao chegar ao porto, para embarcar, deve ser paga a taxa de embarque à Dirección Provincial de Puertos. Para a navegação pela manhã, $ 7,00 (pesos argentinos)/pessoa; à tarde, para excursão à Ilha Martelo, $ 35,00 (pesos argentinos)/pessoa.
Contratados os serviços, iniciamos as visitas aos museus.

Às 16hrs estávamos iniciando a visita ao Museo del Presidio de Ushuaia e Museo Marítimo. Ambos no mesmo prédio. Pode-se ir até lá, a pé, a partir do centro, caminhando seis quadras. Horário de visitação: das 09hrs às 20hrs. Preço: $ 70,00(pesos argentinos)/pessoa.



  



Esculturas em resina ou outro material retratam alguns personagens que passaram por aqui. Entre eles, segundo descrições encontradas, Carlos Gardel.


  


 

A história do presídio de Ushuaia é também a história do povoamento dessa região austral. Foi através da vinda de presos (presos políticos e delinquentes), de voluntários e de funcionários administrativos que trabalharam nesse presídio que se iniciou o povoamento de Ushuaia.
Isso lembra um pouco a história de Fuerte Bulnes e Punta Arenas, no Chile.
Parte desse prédio foi restaurada para visitação; a outra parte conserva suas dependências, podendo ser vistos antigos aquecedores à carvão, como eram utilizados há época. A esse último nível, não se tem acesso, mas pode-se ter uma vista no andar de cima, através de uma grade.
O presídio teve sua construção iniciada em 1902 e, suas portas fechadas em 1943. Um dos motivos foi sua imagem depreciativa, que o vinculava à cidade.

  

Há uma pequena lancheria e loja de souvenirs com motivos característicos do lugar. Camisetas listradas e roupas de presidiário são vendidas como lembranças, além de “salvos-condutos”.

   


A mesma estrutura abriga o Museu Marítimo. Réplicas de barcos e navios em miniatura, aparelhos, artefatos de navegação e objetos recuperados de naufrágios, são algumas das peças encontradas na parte de cima da ala do presídio reservada à visitação. Também fazem parte do acervo inúmeras fotos que contam a história de pessoas que desbravaram essa região da patagônia, sofrendo toda sorte de dificuldades, entre elas os ventos incessantes e o extremo frio.
Lembrando: o mesmo ingresso pago para visitar o museu do presídio, também dá acesso ao Museu Marítimo.

  


  


    

Ainda houve tempo nessa tarde, para visitarmos o Museo del Fin del Mundo. Outra atração que merece ser vista. O museu está divido em dois prédios a uma distância de menos de cem metros entre eles. Preço: $50 (pesos argentinos)/pessoa. O segundo prédio foi sede da antiga casa de governo da província de Tierra del Fuego, Antartida e Islas del Atlântico Sur e o acervo tem como tema principal objetos da administração e o plenário da assembleia constituinte. Também abriga, como parte da história da província, uma réplica de um antigo armazém, onde se podia encontrar, desde cigarros e bebidas, até sapatos. O que não foi diferente daqui no Brasil:. os antigos armazéns de “Secos e Molhados”.

  


   

Às oito e meia da noite (ou da tarde? Aqui, anoitece às nove e meia, dez) retornávamos ao hotel.


01/02/2012(quarta-feira)
Ushuaia

A noite foi fria, mas abrigados na cabana não percebemos o quanto. Por isso, nos surpreendemos quando abrimos a porta da cabana às 8:40hrs para sairmos e vimos as montanhas ao redor de Ushuaia cobertas  com uma fina camada de neve. Mesmo assim, não parecia muito mais frio do que fora no dia anterior. O que foi confirmado, olhando o termômetro: 5ºC.
O dia estava iniciando com Sol e poucas nuvens.



Às 8:56 estávamos chegando ao porto para embarcarmos em nossa primeira aventura do dia: navegação pelo Canal de Beagle (vista das Ilhas dos Pássaros, da Ilha dos Lobos Marinhos e circundar o Faro del Fin del Mundo).
A bordo do catamarã Ana B, da empresa Rumbo Sur, às 9:40 saímos da Bahia de Ushuaia (com a visão das montanhas ao longe manchadas de neve) em direção ao primeiro ponto de visita: Ilha dos Pássaros.




Passamos por duas ilhas onde havia pássaros. Parece que cada ilha é habitada por uma espécie. Na primeira, somente identificamos o gaivotin sudamericano; na segunda, gaivotas.
Na ilha dos Lobos Marinhos, estes dividem o espaço com algumas gaivotas e um enorme bando de cormoranes (biguás de pescoço preto).




O frio foi se intensificando à medida que avançávamos em direção ao Farol, ao mesmo tempo em que a garoa que, por vezes aparecia, ameaçava atrapalhar filmagens e fotos, respingando nas lentes. Felizmente, tudo foi contornado.
 Em frente a cada ilha (dos pássaros, dos lobos marinhos, do farol), o comandante fazia manobras lentas com o barco, oferecendo vários ângulos para se admirar esses locais. Tudo é feito com tranquilidade, sem pressa. Há tempo suficiente para filmarmos e tirarmos belas fotos.






Às 12:30hrs estávamos de volta ao porto.
Devíamos ainda nos preparar para o passeio da tarde (passeio entre os pingüins), que se iniciava nesse mesmo porto, às 14:20hrs.
Compramos um lanche e levamos para a cabana.
Depois do almoço, nos dirigimos novamente ao porto, de onde saímos de van, às 14:35hrs em direção à Estância Harberton.
A Estância é o ponto de partida para a Ilha Martelo (Isla Martillo), onde estão as pinguineiras. Partindo de Ushuaia, por terra, rodamos cerca de 45min de asfalto em precárias condições e mais 45min de rípio.
Fomos acompanhados pela guia Lorena, muito simpática e engraçada, que se esmerava em fornecer o máximo de informações durante o trajeto. Falou sobre o Cerro Castor, local de prática de esportes de inverno (importante centro de esqui) e dos próprios castores, que deram o nome a esse Cerro. Hoje, esses castores são considerados uma praga de difícil erradicação.
No trajeto para a Estância, uma parada para admirarmos de longe Puerto Williams, pequena localidade do Chile, situada na Isla Navarino.



Mais adiante, outra parada, para admirarmos e tirarmos fotos da árvore-bandeira (árvore-símbolo) da patagônia. A árvore é da espécie lenga e assim como as demais em seu redor, pendem para o lado, forçadas pelos ventos constantes.





Finalmente, chegamos à Estância Harberton, onde pudemos visitar o Museo Acatushun (pequeno museu de aves e mamíferos marinhos). Em seu acervo, ossos de baleia; carcaças de golfinhos, aves, lobos e leopardos marinhos. Vale a pena visitar. Preço do ingresso: $ 10,00(pesos argentinos)/pessoa.

  


  


  


Uma hora depois, sempre acompanhados da Guia Lorena, nos encaminhávamos para o ancoradouro, onde nos aguardava um barco inflável, acomodando as dezoito pessoas que faziam parte do nosso grupo.

   


Mais meia hora de navegação (novamente pelo Canal de Beagle, porém, desta vez a partir de outro trecho), e aportávamos na Isla Martilla, onde milhares de pinguins nos esperavam.
Esses pingüins, chamados de magalhânicos ou simplesmente pingüins de magalhães, medem cerca de 40-50 cm de comprimento e se caracterizam por sua plumagem predominantemente preta, listra branca na cabeça e a frente toda branca. Eles dividem o espaço com meia dúzia de pingüins papua, um pouco maior que eles e identificado pelo bico e as patas de cor laranja. A ilha é ponto de encontro dessas aves para troca de plumagem e acasalamento, ocasião em que os ninhos ficam expostos aos ataques das “gaivotas cozinheiras do sul” e dos “skuas” (outra ave predadora), em busca de ovos e de filhotes de pinguins.


  


  

  

  

  

Durante a navegação pelo Canal, não houve tempo para monotonia. Tanto na ida quanto na volta, o vento forte produzia pequenas ondas. A emoção ficava por conta do barco que, ao chocar-se contra elas, levantava a proa, como se estivéssemos em um “banana boat”.
O retorno de Van, a partir da Estância Harberton foi tranqüilo, embora cansativo, e às 19:45 chegávamos em Ushuaia.
Frio e chocolate quente combinam muito bem.  E como não tínhamos a intensão de contrariar a natureza...


O dia seguinte estava reservado para manutenção e troca do óleo da moto e, se houvesse tempo, visitar o Parque Nacional Tierra del Fuego, já que, nosso retorno de Ushuaia estava marcado para o dia 03/02.



02/02/2012(quinta-feira)
Ushuaia

Relaxamos um pouco no horário e acabamos saindo às nove da manhã à procura de uma oficina de motos onde pudéssemos trocar o óleo e fazer alguns reapertos.
Descobrimos a Pablo Motos (Intendente Olmos, 898). Segue-se pela Av Maipu; depois, a Av Malvinas Argentinas até uma rótula (rotonda). Antes da rótula, tomar à direita, pela Fuegia Basket até atingir a Intendente Olmos, 898 (veja no mapa).

   


O plano era, tão logo trocar o óleo da moto, agendar para a tarde, o passeio ao Parque Tierra del Fuego. No entanto, a oficina estava fechada. Por um acaso conseguimos falar com o mecânico que, infelizmente não pode nos atender àquela hora. Pela manhã, disse, trabalha do hospital da cidade e somente poderia nos atender das 16:30 às 22hrs.
Retornamos para o centro, fazendo algumas compras, descobrindo alguns ângulos da cidade e almoçando em um restaurante próximo ao porto (mariscos, salmão), quase matando a vontade de frutos do mar (a preços salgados... Afinal, não vêm do mar?).
Às 17 horas estávamos chegando à oficina, onde fomos muito bem atendidos pelo Alessandro. Trocado o óleo, feitos alguns reapertos gerais e lubrificada a corrente, saímos para a bastecermos a moto.
Para aquela tarde, já não se conseguiria mais fazer o passeio ao Parque.
No hotel, havíamos confirmado que fecharíamos a conta na sexta-feira, dia 03/02. Essa certeza talvez tenha deixado em aberto para o hotel receber novos hóspedes em nosso lugar... Será que valeria a pena ficar mais um dia para visitarmos o Parque? Fomos longe. Estivemos em Ushuaia e, nessa viagem, visitamos tantos lugares marcantes...  E se ficássemos? Talvez tivéssemos que mudar de hotel...
Talvez o cansaço; talvez tenhamos dado pouca importância; talvez a saudade do conforto de casa. Não sei. Ou a soma de tudo isso é que nos fez desistirmos de ficarmos mais um dia.
Para consolo, ficou a sensação de que, talvez não devêssemos ver tudo dessa vez, deixando para outra oportunidade visitarmos o que falta, assim como deixamos de ver outras coisas durante a viagem (que estavam no projeto e deixamos para trás).
Usamos o restante do dia para registrarmos imagens da cidade (arquitetura e seus contratastes, vitrinas de lojas...) e, ligar para o filho...

  


   



À noite, para espairecer um pouco, enquanto procurávamos um restaurante para jantar, descobrimos no centro de Ushuaia, um lugar que serve buffe livre, com carne assada, bem em frente ao Banco de la Nacion Argentina. Preço: $90(pesos argentinos)/pessoa o que, para os padrões brasileiros é caro). O único buffet que encontramos enquanto estávamos na Argentina e no Chile.


03/02/2012(sexta-feira)
Ushuaia - Rio Gallegos

Iniciamos o retorno às seis da manhã. Temperatura: 10ºC.  O vento embora não fosse forte, começava a nos preocupar. Às vezes, as rajadas que chegavam a atingir 53 km/h nos colocava de alerta.
Quase não havia movimento na estrada e logo pudemos chegar em Tolluin. Depois, Rio Grande, quase sem vento, e, San Sebastian.



No Paso fronteiriço San Sebastian, um caminhoneiro que já havíamos encontrado quando da travessia do Estreito, no dia 31 de janeiro, nos indicou outro caminho por rípio para retornarmos a Cerro Sombrero. Mas acredito que não entendemos muito bem o que ele explicava e acabamos rodando por rípio, 160 km, em direção a Onasin e subindo até Cerro Sombrero. Foi um trecho perigoso e muito ruim (pó, pedras soltas, trânsito de caminhões...).
Graças a Deus, chegamos bem em Cerro. Abastecemos e seguimos para a travessia. Tivemos sorte. Estavam iniciando o embarque.
Depois da travessia, continuamos em direção a Punta Delgada e, depois, Rio Gallegos, onde pernoitamos.
Um episódio interessante: quando estávamos em meio ao trânsito de Rio Gallegos procurando um hotel, abordamos uma dupla de guardas de trânsito feminina. Como estávamos em uma via única e do lado esquerdo da pista e devíamos virar à direta para chegarmos ao hotel indicado, elas prontamente bloquearam o fluxo de veículos naquela direção, até que pudéssemos atravessar a pista e dobrar no sentido do hotel com segurança. Um gesto inusitado, mas cordial, pelo qual agradecemos.



04/02/2012(sábado)
Rio Gallegos - Caleta Olivia

A partir de Rio Gallegos começou ventar forte.
Até Caleta Olívia, pegamos ventos laterais fortíssimos (40 a 60km/h), com rajadas que chegavam a 83 km/h.
Um sufoco. A moto inclinada de um lado e nós de outro. Foi muito difícil mantermos o ritmo. As mãos doíam. Havia muita tensão.
No final da tarde, chegando em Caleta Olívia, na entrada da cidade, encontramos o Hotel Patagônico, onde pretendíamos pernoitar. Entretanto, o proprietário, gentilmente informou que não havia mais vagas, mas se prontificou a ligar para um amigo que possuía umas cabanas próximas ao centro da cidade. Acertou que nos encontraríamos com esse amigo no Posto PETROBRÁS, em frente ao monumento do trabalhador petroleiro. Sua presteza em um momento como esse foram de muito valor e lhe agradecemos, deixando aqui nosso abraço.


05/02/2012(domingo)
Caleta Olivia - Comodoro Rivadavia

Devido ao cansaço do dia anterior, dormimos até mais tarde e acabamos saindo às nove horas da manhã.
O vento não diminuira e a preocupação aumentara.
Com muita dificuldade, chegamos a Comodoro Rivadavia, depois de rodarmos cerca de 90 quilômetros.
Como o vento dera uma pequena trégua, optamos por atravessar a cidade, tomando a direção de Trelew.
Eram onze horas da manhã e já havíamos percorrido doze quilômetros, depois de cruzar a cidade, quando sentimos novamente o vento nos castigar. Ao longe se via as nuvens de poeira e areia invadindo a pista.
Como não conseguíamos nos comunicar satisfatoriamente através do intercomunicador (barulho do vento no capacete), resolvi ir para o acostamento para definirmos o retorno à Comodoro e lá ficarmos. Tão logo parei no acostamento, uma rajada de vento nos fez perder o equilíbrio, nos derrubando. Se considerarmos o peso da moto carregada e nós dois em cima, podemos dizer, sem medo de errar que havia cerca de 380 quilos e o vento nos empurrou para o chão como se tivesse soprado uma folha de papel.
Procurei descobrir, assim como fiz nos recentes relatos acima, qual a velocidade do vento naquela hora. Segundo o site http://www.wunderground.com/, a velocidade do vento era de 55,6 km/h e a força das rajadas era de 87 km/h.
Assim que pudemos subir na moto, retornamos à cidade, nos hospedando no WAM Hotel Patagonico. Era meio-dia, quando entramos com a moto na garagem do hotel.
No hotel (com excelentes acomodações) há um ótimo restaurante, onde servem almoço e jantar.
Preço da diária: $556,60(pesos argentinos)/casal, com café-da-manhã e garagem.
O resto do dia, destinamos para descanso e refazermos o trajeto de retorno.
Pelo projeto inicial subiríamos pelo litoral (Trelew, Puerto Madrin, Viedma, Bahia Blanca), mas agora, com receio de que o vento nos perseguisse incansavelmente por esse trecho, desistimos.
Optamos por retornarmos por parte do mesmo trajeto que fizemos quando viemos. Assim, partindo de Comodoro, passaríamos por Sarmiento, Gobernador Costa, Esquel, El Bolsón, Bariloche, Neuquén. Depois, Rio Colorado até atingirmos Bahia Blanca e subir pela Ruta 51 até Cnel. Pringles, Olavarria e Azul. A seguir, retomarmos a Ruta 3 até Buenos Aires.


06/02/2012(segunda-feira)
Comodoro Rivadavia - Esquel

Saímos de Comodoro Rivadavia às 7:45hrs em direção a Sarmiento, com ventos laterais (menos que no dia anterior, mas igualmente preocupante).
Logo depois (cerca de 50 quilômetros), resolvi abastecer a moto novamente. E, seguimos, passando por Sarmiento (a 100 quilômetros de onde havia abastecido) sem abastecer.
Preocupado com os ventos, não lembrei que, de Sarmiento a Gobernador Costa são 251 quilômetros sem qualquer posto de abastecimento.
Após termos rodado aproximadamente 120 quilômetros, me dei conta que, mesmo completando com os cinco litros do galão de reserva, não chegaria a Gobernador Costa, que estava a uns 150 quilômetros dalí.
Resolvemos parar no acostamento, esperando que alguém pudesse vender, ao menos, cinco litros de combustível. Mas foi em vão. Conseguimos a atenção de um motorista que viajava com a família, mas alegou que não conseguiria tirar gasolina do tanque do seu carro porque havia uma grade que impedia. O segundo (um alemão que viajava pela Argentina de carro, mas que em sua terra possuía também, uma V-Strom), gentilmente se propôs a nos fornecer gasolina.
Enquanto tentávamos alcançar o nível de gasolina no tanque, com a manga que sempre levo junto, parou um argentino (que mais tarde, viemos saber seu nome: IGNÁCIO MARTINEZ), com sua camioneta cabina dupla, de cor prata, propondo-se a ajudar. No entanto, como não estávamos conseguindo, pois o carro também possuía uma grade interna que impedia que se tirasse gasolina do tanque, seguiu viagem.
Esses detalhes e os seguintes, aparentemente não tem importância, mas logo vocês irão perceber onde quero chegar.
Enquanto pensávamos como sair dessa, vimos que uma carreta retornava de ré, pelo acostamento. Lembramos que essa carreta passara por nós há alguns minutos atrás e que parara a cerca de 500 metros de onde estávamos. Mas isso, até então, não nos chamara a atenção.
O motorista da carreta, cujo nome descobrimos depois (PAULO MILEN), com muita habilidade, considerando que o acostamento era estreito, parou o caminhão do outro lado da pista em que estávamos e, desceu. Prontamente se ofereceu para nos ajudar, se propondo até, a nos ajudar a carregar a moto, acomodando-a entre o cavalo-mecânico e a carreta tipo furgão. Disse que possuía uma Husqvarna (moto de trilha), com a qual praticava enduro e que, morou em Uruguaiana um tempo. A partir dessa conversa as coisas começavam a se encaixar. Um motociclista dificilmente deixa outro na mão. Entretanto, apesar da boa vontade dele, nada podia fazer por nós. Agradecemos seu interesse e ele seguiu viagem.
Na tentativa de conseguir combustível e, seguindo a sugestão do Paulo, decidimos voltar uns 15 quilômetros, onde havia vários barracões que abrigavam o maquinário, e o pessoal que estava fazendo reparos na rodovia.
Havíamos rodado cerca de 12 quilômetros, quando, em sentido contrário avistamos uma camioneta, cujo motorista acenava para nós, indicando para que parássemos.
 Por uns momentos ficamos confusos e apreensivos. Seria o argentino que parou tentando nos ajudar, ou era outra pessoa? E o que estaria querendo?
Paramos no acostamento, com o vento nos castigando e a moto balançando a cada vez que passava um caminhão.
Mas a preocupação com a moto deu lugar a um sentimento que jamais iremos esquecer. Da camioneta do Ignácio, descia o Paulo, segurando dois galões de cinco litros de gasolina; um em cada mão.
Contando isso, parece coisa de filme. Parece que pessoas assim, não existem.
Dizer o quê? Lembro que mencionamos anjos, a Divina Providência, Deus, sei lá...
Não acreditávamos no que estava acontecendo...
Imediatamente iniciei a transferência do combustível para o tanque da moto, sob o olhar atônito da Cleci, que se esforçava em encontrar palavras para agradecer a ambos.
O Paulo e o Ignácio, pensávamos, haviam interrompido seus afazeres para nos ajudar. Não podíamos fazê-los perder mais tempo.  Perguntamos quanto lhes devíamos, ao que nos responderam com uma pergunta: quanto vocês pagam por litro de nafta? E foi só. Nada mais.
Anotamos seus nomes às pressas, paguei um pouco a mais do que costumeiramente pagava nas bombas. Nos despedimos, com um forte aperto de mão e seguimos em direção a Gobernador Costa. Eles, na direção contrária.
Na pressa, nem lembramos de tirar uma foto deles (remorço), mas as imagens de seus rostos estão vívidas em nossas mentes.
Seguimos viagem com esses acontecimentos a nos marcar profundamente. Seguimos com nossos corações reclamando que não fizemos o suficiente por eles. E seguiremos assim, querendo que, se eles virem esse relato (o Paulo admitiu que raramente senta à frente de um computador), tenham a certeza de nossa eterna gratidão e que, ficaremos aguardando seu contato (antome2010@hotmail.com). Deixamos aqui, nosso fraternal abraço a vocês, PAULO MILEN e IGNÁCIO MARTINEZ e que Deus os ilumine.
Chegando em Gobernador Costa enfrentamos uma extensa fila para abastecer. Mas estávamos tranquilos. Como já disse antes: onde há fila, há combustível.
Na maioria das cidades por onde passamos (só para exemplificar: Esquel, puerto San Julian, Gobernador Costa), há redutores de velocidade fixados nas ruas. São em ferro. Não se iludam. Passem devagar. Tenham cuidado!

    
Pernoitamos em Esquel, no mesmo hotel em que nos hospedamos quando descíamos para Ushuaia.


07/02/2012(terça-feira)
Esquel - Bariloche

Assim que saímos do hotel, fomos ao Banco de La Nación Argentina em Esquel, para fazermos o câmbio.
O Banco atende das 7 (sete) às 13 horas! Inclusive para câmbio (caixa específico). Porém, como moedas estrangeiras, somente aceita dólares e euros .
           Depois de Esquel, El Bolsón, onde almoçamos.

   

Tão logo cruzamos Bariloche, os ventos que iniciaram fracos a partir de El Bolsón, se intensificaram. Ao vermos as nuvens de poeira ao longe, cujo resultado já conhecíamos, resolvemos retornar uns cinco quilômetros e, às 15:40 estávamos dando entrada em uma pousada na saída da cidade.
Nos hospedamos no Hotel Posada del Camino (ótimas acomodações), onde fomos muito bem atendidos pela sra. Elisabeth. Preço do pernoite: $240 (pesos argentinos)/casal, com café-da-manhã. A moto ficou acomodada nos fundos da pousada.

  


08/02/2012(quarta-feira)
Bariloche - Rio Colorado

Acordamos às 4:15. A nosso pedido, o ótimo café-da-manhã nos foi preparado com antecedência e, deixado na sala de refeições.
Às 5:35hrs estávamos partindo em direção à Neuquén e Rio Colorado, onde pernoitamos (Hotel Quelu Leufu – boas acomodações), pagando $310 (pesos argentinos(/pernoite/casal. A moto ficou na garagem coberta do hotel.
Como não havia vento, nesse dia rodamos 780 quilômetros.


09/02/2012(quinta-feira)
Rio Colorado - Las Flores

Às 5:30 da manhã, dei a partida na moto normalmente, mas percebi que os faróis não ligavam. Todas as demais luzes funcionavam (piscas, freio, luz traseira...).
Inicialmente pensei que se tratava de um fusível. No entanto, feita a verificação, constatei que todos estavam intactos. Os soquetes dos dois faróis, estavam presos.
Procurei saber com o recepcionista do hotel, onde encontraria um mecânico de motos. Mas àquela hora da manhã (já eram seis horas), onde encontraria um que se dispusesse a me atender? Rodei pela pequena cidade em vão.
Eram quase oito horas quando estacionei a moto em frente à estação rodoviária onde havia cabines telefônicas. Mas estava difícil fazer a ligação para o Brasil (caía frequentemente).
Desisti de usar esses telefones e tentei fazer a ligação do meu celular, que eu havia habilitado para ligações internacionais junto à operadora. Enquanto isso, vendo nossa aflição (moto estacionada, ferramentas na calçada), uma senhora que residia do outro lado da rua, veio em nosso encontro, informando que seu genro, que possuía uma oficina de consertos de ar condicionado, também era um aficionado por moto (tinha uma). Talvez, disse ela, ele pudesse ajudar.
Nessas horas, não se dispensa qualquer ajuda, pensamos. E ela foi chamá-lo a duas quadras de onde estávamos.
Logo chegou o Carlos que, intrigado com a situação, olhava, perguntava, olhava novamente... Até que resolveu acionar o lampejador da luz alta da moto e os faróis ligaram. Isso só aumentou o mistério. Pensei: se os faróis ligam com o lampejador, então vou fixa-lo com fita crepe... Mas, por outro lado, e se não der certo? Se sobrecarregar a bateria?
Enquanto isso, eu conseguia completar a ligação para o Brasil (Suzuki) de Erechim(RS). Lembrem-se que, ligando para o Brasil, do exterior, deve-se discar 0055+código de área+número do telefone (consulte a EMBRATEL em:. http://www.embratel.com.br/Embratel02/cda/portal/0,2997,RE_P_8220,00.html.
Que alegria ouvir a voz do outro lado da linha. Imediatamente fui passado para o “Bico”, um dos mecânicos que sempre faz a manutenção na V-Strom.
A sugestão foi, efetivamente, fixar o lampejador da alta, mas deixar apenas um soquete conectado ao farol e, assim que pudesse, levar a uma oficina especializada, seja de qualquer marca. Mesmo assim, alertou para uma possível sobrecarga (eu deveria ficar atento).
Pelo que eu havia pesquisado na Internet antes de viajar, ainda quando fazia o planejamento de viagem, na Argentina não há autorizada da Suzuki.
Não procurei nenhuma outra oficina, mas fixei com fita crepe o lampejador da alta.
E assim, segui viagem, saindo de Rio Colorado às 9:30 da manhã em direção a Las Flores(onde pernoitamos), passando por Bahia Blanca, Cnel. Pringles, Olavarria e Azul) depois de rodarmos 680 quilômetros sem vento!
Em Las Flores, nos hospedamos no Hotel Balo, às margens da Ruta 3. Preço do pernoite, $200(pesos argentinos)/casal, com café-da-manhã. A moto ficou nos fundos do hotel, em uma parte da garagem coberta.


10/02/2012(sexta-feira)
Las Flores - Durazno

Saímos de Las Flores às 7:40hrs em direção a Buenos Aires.
Duzentos quilômetros de rodovia que se alternava entre auto-pistas, boas rodovias e cruzamentos em péssimo estado. Todo o trajeto é muito movimentado (principalmente caminhões).
Já dentro de Buenos Aires, rodamos muitos quilômetros e pagamos vários pedágios.
    
Eu começava a ficar apreensivo, pois não estava avistando nenhum posto de gasolina no lado direito (lugar que eu esperava encontrar alguma informação). Além disso, não encontrava nenhuma placa de sinalização indicando Puerto Madero à esquerda, que é onde está o ponto de embarque para a travessia do Rio da Prata.
Simplesmente, seguimos a auto-pista até atravessar a cidade.
Já estávamos na área do porto e ainda não havia avistado sinalização para Puerto Madero.

   


Finalmente encontramos um posto de combustível às margens da auto-pista. Uma informação de um cliente foi fundamental para que chegássemos até o terminal do Buquebus. Mesmo nesse posto, consultando outros clientes, perguntávamos sobre o Buquebus, mas ninguém parecia entender o que queríamos. Até que, um dos deles veio em nosso socorro e nos deu a informação correta.

           Partindo desse Posto de Combustível, tomamos a pista da direita e entramos por uma paralela à rodovia, onde pagamos pedágio. Em seguida, confirmando com o funcionário do Posto de Pedágio, tomamos à direita e a cerca de cem metros fizemos o retorno para o outro lado da auto-pista (por onde viemos), a qual mageia o porto (como eles dizem: seguir pela costanera). Logo vimos conteiners e navios atracados. O que nos deixou mais tranqüilos, parecendo estarmos na direção certa.
  
    


Continuando, foi só ficarmos atentos às placas. Não demorou muito para avistarmos a que indicava “Puerto Madero a 500 m”. Entramos à direita e seguimos por mais alguns quarteirões, por uma paralela, até avistarmos o prédio “BUQUEBUS”. Aguardando na sinaleira, poucos metros antes, viramos à direita e imediatamente à esquerda, para entrarmos no pátio onde está o porto.


   


   


 
Às 11hrs estávamos adquirindo os ingressos (térreo) para às 14 horas, e fazendo os trâmites de migração (1º piso). Preço por pessoa: $316,25; moto: $ 321,63 (valores em pesos argentinos). Pagamos em dinheiro. Não lembramos de nos informar se aceitam cartões de crédito.
Para preços e horários, consulte:
http://www.buquebus.com/BQBPreHome.html


   

      




    

Quarenta e cinco minutos antes do embarque, coloquei a moto no catamarã.
Estávamos com fome. Não havíamos almoçado. Fizemos um lanche, adquirido dentro do catamarã, onde há uma lancheria com uma boa variedade de lanches e bebidas (os preços são aceitáveis).

  


    

Viagem tranquila, com o barco deslizando suavemente sobre as águas (podia-se deixar um copo com água sobre a bandeja fixada no encosto do banco do passageiro da frente, que mal se percebia a vibração).
Aos poucos deixávamos para trás a visão de edifícios suntuosos, o extenso trapiche, onde os amantes da pesca se distraem. Aos poucos, deixávamos para trás uma parte da nossa jornada, ansiosos por chegar ao Uruguai que, para nós, significava estar quase em casa...
Apreciávamos, acomodados nas confortáveis poltronas, a extensão daquelas águas turvas à nossa direita. O imenso Rio da Prata com todo seu esplendor, parecia um oceano.

   


   

Imersos em nossos pensamentos, fomos surpreendidos com o aviso de que estávamos nos aproximando de Colônia del Sacramento. A viagem demorou cerca de uma hora (escolhemos o mais rápido. Em outro horário, a duração da viagem é de cerca de três horas).
Saindo de Colônia del Sacramento, tomamos a direção de Rosário, depois, San José de Mayo, Trinidad, pernoitando em Durazno.









Ficamos no Hotel Durazno (boas acomodações. Preço: $ 960(pesos uruguaios(/pernoite/casal). O atendente ofereceu um lugar dentro do prédio para que eu colocasse a moto em segurança, mas recusei.
Quando estava me preparando para dormir, fui chamado pela portaria. Era o proprietário do hotel que insistia para que eu colocasse a moto dentro do prédio.
Havia um corredor estreito, com várias sacas de cimento e cal obstruindo a entrada (o térreo do hotel, no lado oposto da recepção, estava em reforma). Mas ele não se intimidou e, juntamente com um dos seus amigos, prontamente retirou todo o entulho. Tirei os baús laterais, acomodando-os ao longo desse corredor e coloquei a moto no lugar indicado. Segundo ele, não há notícias de danos em motos deixadas na rua, em frente ao hotel, mas convém não facilitar. Concordei. Segundo ele, o hotel recebe com frequência, motociclistas em viagem.
Pouco antes de sairmos para jantar, fui fazer o câmbio a duas quadras do hotel. Depois, para descontrair, um passeio pela Plaza Sarandi; o jantar em um restaurante em seu entorno; na saída, no outro lado, em frente à igreja, apreciar o movimento de uma cerimônia de casamento de um militar, com o tradicional corredor de espadins; tomar um sorvete, sentados em um banco da tranquila praça, sem pressa...





    



11/02/2012(sábado)
Durazno - Rivera

Eram quase nove horas quando saímos de Durazno em direção à Rivera, passando por Tacuarembó, onde abastecemos.
Chegamos em Rivera antes do meio-dia.
Para compensar os altos e baixos da viagem e a saudade de um bom café-da-manhã, nos hospedamos no Hotel Jandaia em Santana do Livramento (excelentes acomodações). Preço da diária: R$ 280,00 com garagem e manobrista (não precisei... Era só o que faltava...) e, com café-da-manhã brasileiro!).
Anexo ao hotel, o restaurante com serviço de buffe durante o dia e a la carte durante a noite. Perfeito.
Depois das compras em Rivera, a preparação para o último dia do retorno.


12/02/2012(domingo)
Rivera - Erechim

Logo depois de termos saído do hotel, ainda dentro de Livramento, percebi fumaça saindo do soquete do farol direito (ligado direto no botão do lampejo da alta desde Rio Colorado). Parei na lateral da rua, tirei o soquete derretido e conectei o soquete no farol esquerdo, liberando o botão de lampejo (tinha receio que houvesse outro curto).
Rodamos até Rosário do Sul, onde em um posto de gasolina conferi a temperatura do soquete e percebi que estava normal e, por surpresa, o farol da baixa estava ligado e funcionando normalmente.
Seguimos viagem em direção à Santa Maria, onde almoçamos e abastecemos a moto.
Chegamos em casa às 18:25hrs, felizes, como se recém tivéssemos voltado de um passeio de logo ali.
Sensação que nos acompanhou enquanto parávamos em um canto qualquer da cidade e ligávamos para nosso amigo Jair (que depois tiraria algumas fotos de nossa chegada), pedindo que nos esperasse com uma (apenas UMA), cerva em um improvisado Happy Hour.
Sensação que persistiu enquanto a ligação corria e um motorista gentilmente se oferecia para fornecer alguma informação, imaginando que fôssemos visitantes recém-chegados. Agradecidos respondemos: recém-chegados, sim, mas de Ushuaia. Qual foi o seu espanto ao ouvir isso... E sorrindo se afastou, nos acenando.
Mas a “ficha não havia caído” ainda. Só foi começar a cair, enquanto revíamos as fotos e filmagens.
Teria sido um sonho?
Para a resposta, fomos buscar as marcas na moto e em nós mesmos; lembrança por lembrança.
Fomos para um canto de nosso íntimo, agradecer a todos aqueles que de uma maneira ou de outra torceram para que tudo desse certo. Agradecer àqueles que rezaram por nós. Agradecer até aquela vizinha, Dona Inês, que, sem que soubéssemos, da sacada do primeiro andar do prédio ao lado onde moramos, nos observava, ultimando as acomodações na moto, prontos para sairmos, naquela manhã ensolarada de nove de janeiro. E rezou, nos disse ela, para que tudo desse certo para nós e, que Deus nos acompanhasse. Por coincidência extraordinária, lá estava ela, novamente nos observando, da mesma sacada, quando chegamos às nove horas da noite do dia 12/02/2012.
Mas agradecemos principalmente a Deus, que sempre esteve conosco; ouvindo nossos apelos nos momentos de muita tensão e angústia, onde o perigo estava cada vez mais próximo; e nos momentos felizes, quando nos presentava com dias ensolarados, deixando-nos maravilhados diante de tanta beleza, de tanta diversidade e de tanta Paz.





                                         TERCEIRA PARTE
                                    INFORMAÇÕES & DICAS



A MOTO:
 O único problema foi com os faróis.
Quando da revisão, chegou-se à conclusão de que o problema se verificou porque os soquetes estavam frouxos devido às trepidações sofridas durante os trechos de rípio (muitas costeletas, pedras soltas e alguns buracos). Os soquetes foram substituídos e o problema não mais se verificou.
O cavalete central da V-STROM a deixou muito próxima do chão. Muitas vezes ele tocou pedras e pequenas depressões da estrada de rípio; outras vezes, quando o asfalto era irregular, também o atingiu. Menciono também aqueles redutores de velocidade (sempre raspava em baixo). Quando dos reapertos em Ushuaia, tive que substituir um dos parafusos que já estava torto a ponto de se quebrar. Quando da revisão na chegada em casa, pedi que fosse retirado, ficando apenas com o protetor do carter.
Foi consumido um jogo de pneus Michelin, Anaki II (dianteiro e traseiro), embora se estimasse, aparentemente, mais uns mil quilômetros de vida útil. O que motivou a troca (na revisão de chegada), foi a sensação de que eles não ofereciam mais estabilidade confiável.
O filtro de ar que utilizei foi o esportivo (lavável e com vida útil de 80 mil quilômetros, segundo seu fabricante). O filtro de ar esportivo não foi limpado durante a viagem.
Quando da instalação dos pneus novos, antes da viagem, foi aplicada a vacina para pneus. Não tive a oportunidade de testá-la e espero nunca tê-la.
A revisão do antes e do depois da viagem foi feita na concessionária Suzuki de Erechim. Kleber, Juliano e, principalmente o “Bico”, deram toda a atenção necessária (desmonte das rodas e lubrificação dos rolamentos; troca de velas, limpeza do filtro de ar, troca dos pneus e balanceamento, entre tantos outros cuidados). A eles, deixo aqui meu abraço em nome da nossa amizade, mas igualmente, pela atenção e pela responsabilidade com que trataram da moto, fazendo sua parte, como profissionais.
Quanto ao consumo de combustível, constatei que, rodando a 120km/h e mantendo a aceleração nos 4 mil giros, a média foi de 15,4 km/l a 15,6 km/l. Uma excelente média. Mas essa média não foi possível em todo trajeto. Na maioria das vezes a média foi de 13,5 km/l.
O aquecedor de manoplas foi muito útil nas duas ocasiões em que utilizei.
O “piloto automático” não usei. O que mais utilizei foi o apoio para o acelerador.
Durante toda a viagem foram feitas duas trocas de óleo do motor (óleo para 5 mil quilômetros). A primeira, em Puerto Montt, com 3.740 km; a segunda, em Ushuaia, com 7.525 km. Não foi efetuada a troca do filtro de óleo em viagem.
Relação: como foi instalada uma nova, recebeu apenas lubrificação (graxa branca) constante (a aproximadamente cada 600 quilômetros rodados).
O líquido de arrefecimento do motor diminuiu muito, mas não chegou a um ponto crítico.

PREÇOS

PREÇOS DA GASOLINA (nafta): 

Argentina:

Na maior parte da Argentina, o litro da Super XXII custou $ 4,09; em Gral Acha (antes da travessia do Deserto de La Pampa), gasolina Power, a $ 7,20; em Bariloche, $ 5,80; em San Martin de Los andes, $ 5,99; em Neuquén, $ 5,09; em Caleta Olivia, $4,90. Em Ushuaia, $ 4,98.

A gasolina Premium, em Bariloche, $ 6,60; em Neuquén, $ 6,14; em Fitz Roy, $4,90.


Uruguai:


Em Artigas, Uruguai, a gasolina Super estava sendo vendida a $ 34,88 e a Premium, $ 35,62.



Chile:


Em Puerto Varas:,gasolina 95 Octanas: $ 825.
Na maior parte do Chile, a gasolina 95 é vendida entre $ 825 a $ 848.


PREÇOS DAS REFEIÇÕES

Tanto na Argentina como no Chile, com raríssimas exceções, não há restaurantes que sirvam na modalidade buffe.
Nessa viagem, encontramos apenas um lugar que servia serviço de buffe. Foi em Ushuaia e o preço era de $ 93,00(pesos argentinos)/pessoa!. O equivalente a R$ 40,00/pessoa!.
Nossos almoços sempre foram em viagem e, sempre rápidos (sanduiches, tostados, acompanhados de um achocolatado). Apenas em dois lugares encontramos restaurante à beira da estrada que serviam almoço (não buffe).
Portanto, era natural que à noite quiséssemos algo mais completo. 


Argentina:

As refeições (jantas ou almoços) estão muito caras, comparadas com as que encontramos em janeiro/2011 e sempre no sistema de serviço a la carte.
Em Villa La Angostura, uma refeição composta de frango grelhado, talharim com molho e uma cerveja (3/4), (equivalente a uma porção, a qual é suficiente para duas pessoas comerem), nos custou $ 93,00(pesos argentinos); o equivalente a R$ 40,00.
Em Esquel, outro exemplo: um prato com um bife grande de aproximadamente 350g de carne de gado (alcatra), uma porção de massa e uma garrafa ¾ de vinho, $ 110,00(pesos argentinos); o equivalente a R$ 47,00. Se o corte escolhido for de lomo (filé mignon, na Argentina) o preço será cerca de R$ 55,00.
O preço médio de uma refeição (o suficiente para duas pessoas comerem) composta por uma porção de massa, dois bifes de frango ou de carne de gado, uma salada e um vinho (3/4) ou uma cerveja (também ¾) ficou em torno de R$ 45,00.


Chile

Em Puerto Natales, um jantar (uma porção, suficiente para duas pessoas) custou $ 23.800(pesos chilenos) o equivalente a R$ 72,00.
A média das refeições no Chile ficou em R$ 50,00 para o casal.



CÂMBIO PELA COTAÇÃO DO BANCO CENTRAL DO BRASIL (em reais):

Período de duração da viagem (09/01 a 12/02/2012) em valores aproximados, dada a oscilação no período:

Peso Uruguaio: R$ 0,109
Peso Argentino: R$ 0,432
Peso Chileno: R$ 0,00372



A gente faz as compras, em dinheiro (efectivo) ou usa o cartão de crédito (tarjeta) e na hora podemos não saber o quanto custa determinado produto ou serviço, se convertido em reais.

Para calcular, mesmo que, grosseiramente, eu multiplicava o valor em pesos pela cotação aproximada. Por exemplo: Em Ushuaia, a entrada ao Museo del Presídio e ao Museo Marítimo é de 70 pesos argentinos por pessoa; fiz, 70 X 0,4 e obtinha, aproximadamente, 28. Nesse caso, a entrada custou R$ 28,00.

Chile: a entrada para o Fuerte Bulnes é de mil pesos/pessoa. Seguindo o raciocínio acima, multiplicava mentalmente 1.000 por 0,003 e obtinha R$ 3,00.

A maioria das casas de câmbio, inclusive Bancos, não aceitam Reais, apenas dólares e euros, como moeda estrangeira.


BAGAGEM:
Nas malas, para cada um: um conjunto de roupas térmicas (segunda pele), uma calça jeans, botinas para caminhada, seis camisetas estampadas com o logo da viagem, roupas íntimas, uma bermuda, duas camisetas comuns, um par de chinelos. Na bagagem da Cleci, além de um vestido, cremes e outros artigos que tornam as mulheres ainda mais belas. Estes itens foram acondicionados na bolsa térmica que levamos na parte de fora do baú traseiro, juntamente com alguns medicamentos, tais como: antibiótico para qualquer infecção, cartelas de diclofenaco sódico e dispersivo, plasil, pomada para pequenos ferimentos, gel diclofenaco para contusões e dores musculares, Epocler, Canisten (para tratamento de frieiras), Buscopan (para tratamento de indisposições estomacais), Novacort (para micoses nos pés. Essas micoses se caracterizam por produzirem pequenas bolhas de água), entre outros medicamentos de uso eventual, para gripes, por exemplo. A medicação foi sugerida por clínico geral e com base em situações vivenciadas. Felizmente, não utilizamos nenhuma delas!
Para manter o conteúdo resfriado, foram colocadas três bolsas de gel congeladas. Excelente idéia da Cleci, ainda quando da viagem de janeiro/2011(reportagem: Além da Cordilheira). Também levamos band-aid, gase, esparadrapo, cápsulas de vitamina C.
Ainda como bagagem, mesmo esperando nunca precisar, levamos uma extensão para fazer ponte entre baterias, galão plástico com capacidade para cinco litros de gasolina (adquirido em um Posto Ypiranga, aqui no Brasil. Não usar toda a capacidade do galão. Recomenda-se deixar espaço – aproximadamente de 5% - para a expansão dos gases), manga transparente para transferência de combustível, dois pares de esticadores, algumas ferramentas (para tirar o protetor do carter, para substituir o filtro de óleo do motor, bomba para encher pneu, chave para as rodas e outras chaves para pequenos reapertos, abraçadeiras de plástico, fita crepe, luvas de pano para a manutenção da moto, duas lâmpadas para os faróis, filtro de óleo do motor, uma viseira de reserva para os nossos capacetes, repelente de água e anti-embaçante para os visores, mini toalhas, plástico para proteger os intercomunicadores que não são à prova d´água...).
O objetivo de estampar camisetas, além de marcar nossa viagem, foi nos desfazermos delas à medida que não mais apresentassem condições de uso. Algumas sofreram uma única lavagem, mas como as golas estavam encardidas, foram usadas ainda uma vez e descartadas ainda em Ushuaia. Quando do retorno, restavam apenas duas camisetas novas, que guardamos como recordação.

   

 
REDE ELÉTRICA


Levamos extensões elétricas e dois “Ts” comuns.
As tomadas na Argentina, podem ter fendas transversais retas, sem entrada para pinos, ou terem três entradas para pinos (diferentes das nossas novas tomadas para três pinos). No primeiro caso, o “plug” antigo, usado no Brasil, não conecta, sendo necessário depender do hotel para um adaptador; no segundo caso, o “plug” conecta normalmente, assim como ocorre no Chile e no Uruguai.
Em todos os lugares por onde passamos, a tensão elétrica era de 220V. No entanto, sempre confira antes de ligar um aparelho que não seja bivolt.
Se adquirir algum aparelho (barbeador, cortador de cabelo), verifique os ciclos. No Brasil utilizamos de 50-60 Hz (em corrente de 110 ou 220V). Mesmo que você adquira um aparelho que indique que o ciclo é de 50HZ, no Brasil pode não funcionar direito. Quanto aos ciclos, prefira aparelhos que indiquem a mesma disposição daqui (50-60Hz) e, evidentemente, observe sempre a voltagem do lugar onde você vai utilizá-lo.



DOCUMENTAÇÃO

Levamos passaporte, Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela, Carteira Internacional de Habilitação e, Seguro Carta Verde para a moto.
A apresentação de passaporte evita o preenchimento de vários formulários, facilitando em muito o ingresso ou a saída de um país.
O Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela, não é exigido nos países por onde passamos (Argentina, Chile, Uruguai), mas é exigido na entrada do Peru, o que não foi o caso. Entretanto, como a validade é para dez anos e já havíamos feito há um ano, optamos por levar. Esse Certificado é fornecido gratuitamente em portos e aeroportos do Brasil, mediante a apresentação de documento de identidade (Cédula de Identidade ou Carteira Nacional de Habilitação) atualizado e da Carteira Nacional de Vacinação, onde constem todas as informações relativas à vacina (lote, data da vacinação, validade, etc.). Para informações sobre o fornecimento desse Certificado, consulte: http://www.anvisa.gov.br/viajante/
Para circularmos a pé pelas cidades (jantar, passeios), levávamos apenas nossas Cédulas de Identidade. Se o passeio era de moto, além das CI, a CNH, Documento da moto e Seguro Carta Verde. O passaporte usávamos apenas para fazermos a aduana.

Faça sempre cópia da página do passaporte onde constam seus dados, e cópia do documento da moto (cópia autenticada), guardando-os em lugar seguro, para que, na hipótese de furto ou perda, você tenha os dados para informar ao consulado do Brasil.

Em caso de furto, roubo ou perda documentos:
1) Faça um registro na delegacia de polícia mais próxima do local do crime;
2) Caso precise de documento para voltar ao Brasil, solicite-o no Consulado-Geral do Brasil, no telefone 4515-6500. Se não for possível esperar pelo horário de atendimento normal, entre em contato com o plantão, pelo telefone (15) 4199-9668.
É preciso apresentar ao agente consular a denúncia policial e um comprovante da nacionalidade brasileira.
Maiopres informações, consulte: http://www.portalconsular.mre.gov.br/.

A Carteira Internacional de Habilitação não é exigida nos países que fazem parte do MERCOSUL (além do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Basta a apresentação da Carteira de Identidade e da CNH. No Chile, pode, exigir essa Carteira Internacional.
Para obtê-la, não há necessidade de novos testes. Procure um CRVA, preencha um formulário e pague a taxa de expedição que está em torno de R$ 40,00. Em cinco dias úteis estará recebendo o documento. A validade e a categoria para dirigir é a mesma da CNH. A foto poderá ser a mesma da CNH (constante do banco de dados do DETRAN).
Para maiores informações, consulte o site do DENATRAN em: http://www.denatran.gov.br/informativos/20070611_permissao_internacional.htm



           VENTOS
Vento é algo difícil de prever. Saber qual a direção, duração, intensidade...
Contudo, quando os ventos começaram a fazer parte do nosso dia-a-dia e, depois de muito “apanhar”, percebemos que o melhor horário para viajar era: pela manhã, até às 09:30hrs; pela tarde, das 13 às 15:30.
Assim, muitas vezes acordávamos às 4 da manhã para sairmos às 5:30, aproveitando uma boa parte até os ventos começarem a nos preocupar.
Isso foi apenas fruto da nossa observação. Não há nenhuma base científica, mas coincidência ou não, o melhor aproveitamento em viagem foi nesses horários.
Foi no retorno que o vento tomou a maior parte de nossas preocupações.
Para diminuir o impacto do vento, que comprometia a estabilidade da moto, resolvemos tirar um dos pacotes de cima do baú traseiro, distribuindo o peso entre as laterais. Aparentemente, a moto ficou mais estável e conseguimos rodar menos apreensivos.

LIGAÇÕES TELEFÔNICAS DO EXTERIOR

Ligando de seu celular (habilitado para ligações internacionais) para o Brasil, do exterior, discar 0055+código de área+número do telefone (consulte a EMBRATEL em:. http://www.embratel.com.br/Embratel02/cda/portal/0,2997,RE_P_8220,00.html


MAPAS
A primeira viagem ao Chile, em janeiro/2011 (reportagem: Além da Cordilheira), foi planejada com base em um mapa da Quatro Rodas de 2004. Esse mapa abrangia Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e parte do Brasil.
Quando estivemos na Argentina ainda em 2011, logo adquirimos um mapa atualizado daquele País, em uma loja de conveniência, em Serrezuela (a noroeste de Córdoba).
No chile, em Viña del Mar, no Shopping Marina Mall, encontramos mapas atualizadíssimos do Chile. Encontram-se bons mapas, em qualquer banca de revistas, mas por regiões. Assim, adquirimos mapas da Zona Central, de San Pedro de Atacama, Villarica, Llanquihue Y Chiloé, Carretera Austral, Torres del Paine e da região de Tierra del Fuego Y Antartica, a um preço médio de R$ 20,00 cada. Os mapas de todo o Chile somente encontramos em Postos de Serviços.
Quando entramos no Uruguai, igualmente, em uma loja de conveniência de um posto de serviços, adquirimos um mapa.
Municiado dessas informações, de algumas dicas colhidas com alguns amigos e, principalmente através da Internet pudemos elaborar nosso planejamento da jornada a Ushuaia. Planejamento que se iniciou um ano antes da viagem.
No Brasil é muito difícil encontrar tais mapas (senão impossível). Há publicações muito úteis, dicas e informações importantíssimas e muito detalhadas (Guia VIsual), como os da Folha de São Paulo, mas não estão acompanhadas de mapas rodoviários avulsos.



CARTÕES DE CRÉDITO (tarjeta):

Durante essa viagem, a maioria dos estabelecimentos (postos de serviço, hotéis e passeios), aceitou cartão de crédito (Visa, Mastercard).
Antes de fazer uma viagem ao exterior, SEMPRE avise a administradora de seu cartão, informando o País para onde você irá e o tempo aproximado da estada.
A maior parte de nossos gastos foi paga através de cartão de crédito. Mesmo com o IOF (nacional) e o IVA (do País onde estivemos), compensa pela segurança. Mas leve sempre algum dinheiro e, procure fazer o câmbio em casas de câmbio. A taxa oferecida em instituições bancárias é menor.
 

OUTRAS DICAS e ALGUNS VOCÁBULOS:

Abasteça sempre que tiver oportunidade, mesmo que lhe pareça que terá autonomia. Pode acontecer de você chegar ao lugar programado para abastecer e não encontrar combustível. E aí, se você não abasteceu antes, terá um problema...
Pontos críticos, considerando-se a distância:
1)    Distancia de Gobernador Costa a Sarmiento: 251 km sem posto de gasolina;
2)    Deserto de La Pampa: Abastecimento em Gral. Acha, antes do deserto; em Chacharramendi (a 85 quilômetros de Gral. Acha, dentro dos limites do deserto) e La Reforma, (igualmente dentro do deserto, a 60 quilômetros de Chacharramendi). No entroncamento das Rutas 20 e 151, há uma grande estação de serviços, com posto de abastecimento, borracharia (gomeria), restaurante e hotel.
Geralmente quando há fila para abastecer, os postos não aceitam cartões de crédito, contrariando o costume em dias normais de abastecimento.
No Chile, as hosterias, como regra, não possuem banheiros individuais. Já, na Argentina, podem ter.  Em qualquer caso, sempre pergunte.
No chile, se pedir um sorvete (helado) doble, prepare-se: ele é enorme. O equivalente a umas oito bolas normalmente servidas aqui no Brasil.


            Alguns Vocábulos:

Expressões mais comuns (podem variar um pouco de região para região) no Chile, Argentina e Uruguai:
a)     ao cumprimentar alguém, não diga “Oi”; diga “Olá”. Isso porque, “Oi” tem a mesma pronúncia de HOY, que em espanhol significa “hoje”;
b)    esquisito: em espanhol, “requintado, saboroso”;  lechuga(letxuga): alface;  zanahoria(ssanaôria): cenoura;  remolacha(remolatxa): beterraba; pasta: massa; salsa: molho; pollo (pôio) : frango; palta, abacate;  papas, batatas;
c)    cuarto matrimonial ou habitación doble: quarto de casal;
d)     lomo: corte de filé mignon (vem em rodelas espessas);
e)    vaso (basso): copo;
f)     servilleta (servidjeta): guardanapo;
g)     fecha: data;
h)     firma: assinatura;
i)      aceite: óleo (para o motor, por exemplo);
j)      aceite de oliva: azeite de olíva;
k)     tarjeta (tarheta): cartão;
l)      postre: sobremesa
 
SITES CONSULTADOS:
http://www.sanmartindelosandes.gov.ar/turismo_brasil/galeria_multimidia/camaras_web (site com câmeras espalhadas pela cidade de San Martin de Los Andes, 24h).
http://www.bariloche.com.ar/camaras/centro-civico.html (site com câmeras espalhadas pela cidade de San Carlos de Bariloche, 24h)

SITES GLOBAIS DA SUZUKI




NOTÍCIAS:



CLIMA:




SAÚDE:



REPRESENTAÇÕES DO BRASIL NO EXTERIOR:














2 comentários:

COUROMANIA disse...

Parabéns Antonio e Cleci pela bela viagem. Grande abraço Cleo e Chico.

Anônimo disse...

Hoje estávamos no Bar da Ponte e conversamos a respeito da Vstrom 1000 e o Amigo indicou o blog com os relatos de viagens!! Maravilhosa essa viagem! Perfeitos, o relato e as dicas!! Grande abraço aos Estradeiros. Jailson Nespolo (Estradeiro do Vale - Três Arroios).